Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

Jovens evitam gasto com casamentos na Itália

Alto custo reduziu ainda divórcios no país

O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2015 | 02h03

A crise econômica afetou até mesmo uma antiga instituição da Itália, um dos centros do catolicismo mundial: o casamento. Dados oficiais do governo mostram que, em 2013, 200 mil bodas a menos foram realizadas em comparação com 2012 - a menor taxa desde a Primeira Guerra Mundial.

Especialistas apontam que a tendência de realizar o casamento entre jovens já vinha caindo. Mas, desde 2008, quando a crise ganhou uma dimensão social, a redução foi ainda mais dramática, ao ponto de chegar "ao nível mais baixo da história moderna" do país.

Em apenas dez anos, a queda já é de 24%. Em comparação com o ano de 1965, a redução é de 65%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas da Itália, o Istat.

"A queda vai muito além das previsões que haviam sido feitas", confirmou o presidente da entidade, Antonio Golini. Segundo ele, existem fatores culturais que explicam a redução, como a decisão de milhares de jovens de não se casar na Igreja e deixar de ter registros oficiais. "Mas existem causas econômicas", alertou. "Realizar um casamento representa custos e, numa crise, as pessoas não contam com recursos extras para isso."

O problema, porém, não é apenas a festa. Hoje quase metade dos jovens na Europa entre 18 e 30 anos continuam vivendo com seus pais, diante da falta de uma renda suficiente para o sustento próprio.

A Itália se transformou no maior exemplo europeu de uma decadência econômica prolongada. Neste ano, o país terá um PIB inferior ao que tinha em 1999. Na imprensa italiana não são poucas as reportagens que, nos últimos meses, relatam como a crise está afetando outro costume entre os homens italianos: o galanteio.

Pesquisas em sites de encontros na internet revelam que os homens têm dispensado cada vez mais o envio de flores e presentes. "Os homens italianos estão cada vez menos românticos", declarou Mariangela Chimienti, do site Cdate. "Notamos que, antes, os homens convidavam as mulheres para jantar e davam flores. Hoje, convidam para andar pelo parque e para um café", disse.

O outro lado da moeda da crise é que os divórcios caíram em mais de 35% desde 2008. Mas não porque os casais estão mais em paz. O motivo da queda é, acima de tudo, financeiro. Muitos casais não conseguiriam sobreviver sozinhos em casas próprias. Além disso, o processo judicial na Itália para um divórcio é um dos mais longos e caros da Europa. / J.C.

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