Jovens fazem campanha pela abstenção

Decepcionados com o governo socialista, eles se recusam a votar na oposição conservadora

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h03

Eles perderam suas bolsas de estudo, não encontram trabalho e vão usar neste fim de semana o único instrumento que lhes resta para protestar. No domingo, centenas de jovens vão se abster nas eleições gerais na Espanha. Decepcionados com o governo socialista e sem confiar em mais nenhum partido, a opção foi pelo voto de protesto.

"Votar em quem?", disse Paula, uma estudante da Universidade de Madri que ontem foi às ruas do centro da capital da Espanha para se manifestar contra os cortes em sua instituição e na ameaça de privatização das universidades, com a cobrança de mensalidades.

Sua avaliação política é clara: os socialistas não merecem seu voto porque, estando no poder por oito anos, cortaram todos os benefícios sociais que a Espanha havia conquistado nos últimos 30 anos.

"No Partido Popular (conservadores) também não votarei. Afinal de contas, sabemos que o que farão é justamente cortar ainda mais os gastos com saúde e educação. Minha opção é mesmo pela abstenção, como uma forma de protesto", disse.

Ainoha e Marta, suas colegas que também saíram às ruas, seguiam a mesma ideia da abstenção.

O mal-estar entre os jovens é evidente. Apenas metade deles hoje trabalha na Espanha. Pablo, que também fazia parte da manifestação de estudantes universitários, contou seu drama, enquanto caminhava como uma máscara e prometia ir às urnas apenas para mostrar sua indignação.

"Sou biólogo. Mas não há nenhuma chance de encontrar trabalho", disse o jovem de 24 anos. "Decidi que então continuaria a estudar e fazer um mestrado. Mas, depois de seis meses, a bolsa de 300 por mês que me permitia viver foi simplesmente cortada. Hoje, não tenho trabalho nem a bolsa para estudar. E ainda querem que eu escolha um dos políticos para legitimarem o que estão fazendo?", questionou. / J.C.

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