Jovens priorizam grande empresa e meio ambiente

Pesquisa mostra que alunos de Administração querem trabalhar em empresas com preocupações ecológicas

Renata Cafardo, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Jovens administradores sonham em trabalhar numa empresa de grande porte, que ofereça possibilidade de viagens e, principalmente, que se preocupe com o meio ambiente. Resultados de uma pesquisa realizada com estudantes de Administração de Empresas da Universidade de São Paulo (USP) e de faculdades privadas mostram ainda que cerca de 30% deles querem garantir um lugar nas áreas de finanças e serviços. Recém-formados também deixam claro que gostariam que seus futuros empregadores proibissem o fumo no ambiente de trabalho."A juventude de hoje aprende desde a escola a importância do meio ambiente e da responsabilidade social", diz Maíti Junqueira, coordenadora de jovens profissionais da consultoria de recursos humanos Across. Além disso, afirma a especialista, eles mencionam essa preocupação porque sabem que esse comportamento atualmente conta pontos em um eventual processo de seleção. Ela conta que 100% dos recém-formados que ingressaram em programas de trainees nos últimos anos tinham trabalhado em ONGs ou em defesa do meio ambiente.Também se tornou comum em currículos atuais de cursos de Administração a inclusão de discussões de casos de empresas sustentáveis. "Fica visível como isso é importante para o reconhecimento de uma empresa", diz a estudante da Faculdade de Economia e Administração (FEA) Laura Nagle, de 21 anos. FINANÇASA pesquisa foi realizada pela Quorum Brasil, que faz sondagens estratégicas a pedido de seus clientes, entre eles Fiesp, Basf e Philips. Foram entrevistados 200 alunos do último ano da graduação, entre março e abril, com até 29 anos. Metade deles estuda na FEA, da USP. Para um dos sócios da empresa, Claudio Silveira, chamou a atenção o fato de as mulheres mostrarem mais interesse pela área de finanças: 32% delas dizem querer trabalhar nesse setor ao se formarem; entre os homens são 26%. A estudante da FEA Mariana Mayuni Oyakawa, de 23 anos, que trabalha em um banco, diz que a área propicia seu desenvolvimento em negociação. Ela cita os bônus em dinheiro que recebe no fim do ano como uma das compensações. O dinamismo do mercado financeiro e a possibilidade de rápido crescimento na carreira são outras características apontadas por especialistas para essa preferência. Entre os homens, a maior parte (34%) prefere a área industrial."Esse interesse reflete a economia brasileira, com crescimento nas áreas de serviços e de indústria e com o boom do mercado financeiro", acredita o vice-presidente da Sul América Investimentos, Marcelo Mello. SUCESSOA pesquisa mostra ainda que o setor público não chega a interessar nem a 5% dos futuros administradores de empresas. Além da preocupação com o meio ambiente, os alunos dizem que gostariam de trabalhar em empresas abertas para ouvir opiniões dos funcionários. Quando questionados sobre o que seria uma vida de sucesso, estudantes dos dois sexos não diferem muito. Mas chama a atenção o fato de mais mulheres (54%) assinalarem a resposta "realização profissional". Entre os homens, o índice ficou em 51%. "Por mais que eu não tenha tempo para meus amigos e minha família, me sinto feliz ao ser valorizada no meu emprego", diz Mariana. A pesquisa identificou algumas diferenças entre as respostas dadas pelos alunos da USP e das instituições privadas, todas elas voltadas para um público das classes mais baixas. Entre os alunos da USP, a maior parte cita a área de atuação da empresa e os benefícios oferecidos por ela como os pontos mais importantes. Os estudantes do outro grupo também valorizam os benefícios, mas a maioria busca empresas que ofereçam para eles perspectivas de crescimento. O setor industrial é o preferido para 36% dos formandos de universidades privadas; na USP, só 15% deram essa resposta. A maior parte, 37%, opta pela área de serviços ou finanças.

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