Jovens representam quase metade de desempregados no País

Pesquisa do Ipea aponta que proporção entre jovens sem emprego e total de desempregados chega a 46,6%

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

20 de maio de 2008 | 16h42

Cerca de metade da massa de desempregados no Brasil tem entre 15 e 24 anos, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada nesta terça-feira, 20. De acordo com o estudo, a proporção entre o número de jovens desempregados e o total de pessoas sem emprego no País era de 46,6% em 2005, a maior taxa entre os dez países pesquisados. No México, esta proporção é de 40,4%; na Argentina, de 39,6%; no Reino Unido, de 38,6%; na Suécia, de 33,3%; nos Estados Unidos, de 33,2%; na Itália, de 25,9%; na Espanha, de 25,6%; na França, de 22,1%; e na Alemanha, de 16,3%. Segundo o Ipea, o problema do desemprego tende a ser mais acentuado entre os jovens do que no restante da população em todo o mundo e o crescimento do desemprego entre os jovens reflete a expansão geral do problema em todas as faixas etárias. Entretanto, o instituto avalia que não há tendência de aproximação entre as taxas de desemprego de jovens e adultos. "Ao contrário, a taxa de desemprego dos jovens cresce proporcionalmente mais", destaca o documento. A pesquisa mostra que, em 2006, a taxa de desemprego era de 5% entre os adultos de 30 a 59 anos, de 22,6% entre os jovens de 15 a 17 anos, de 16,7% entre 18 e 24 anos, e de 9,5% entre 25 e 29 anos. O Ipea atribui este fenômeno à maior rotatividade entre os trabalhadores jovens do que entre os adultos, o que implica em uma taxa de desemprego maior. O instituto ressalta que parte desta rotatividade não é necessariamente problemática, já que está mais relacionada às decisões do jovem e ao "processo de 'experimentação' em várias ocupações".  Entretanto, esta questão também é explicada pelo lado da demanda, uma vez que os postos de trabalho ocupados por pessoas de baixa qualificação e experiência são, em geral, os piores em termos de remuneração e condições de trabalho, além de terem os menores custos de demissão e contratação. Neste contexto, os jovens encontram disponíveis apenas ocupações precárias e de curta duração, destaca o Ipea. Para o instituto, isto não seria um problema se as famílias destes jovens pudessem financiar a busca por empregos melhores ou pela extensão dos estudos. "No entanto, o que acontece para a maioria dos jovens oriundos de famílias trabalhadoras e de baixa renda é que eles ficam circulando entre ocupações de curta duração e baixa remuneração, muitas vezes no mercado informal", aponta a pesquisa. Escolaridade A pesquisa chama atenção também para a defasagem escolar. De acordo com o estudo, cerca de 34% dos jovens entre 15 e 17 anos ainda estão no ensino fundamental, enquanto apenas 12,7% dos jovens de 18 e 24 anos freqüentam o ensino superior. "Em suma, com o aumento da idade diminui a freqüência de jovens à educação escolar", aponta o estudo. Por outro lado, a proporção de jovens fora da escola é crescente conforme a faixa etária: 17% entre os 15 e 17 anos, 66% entre 18 e 24 anos e 83% entre 25 e 29 anos, sendo que muitos deles não chegaram a completar o ensino fundamental. Outro ponto destacado pelo estudo é que o grau de analfabetismo no Brasil - a taxa de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever um bilhete simples - ainda se mantém acima de 10,0% em 2006. "É uma taxa bastante elevada, sobretudo quando comparada às de outros países do próprio continente sul-americano, como Uruguai, Argentina e Chile, cujas taxas variam entre 2,0% e 4,0%", aponta o documento. De acordo com o estudo, o analfabetismo entre jovens de 15 a 24 anos tornou-se um "problema residual" no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde as taxas giram em torno de 1%. Já no Nordeste, o problema é maior, já que a região ainda registra taxa de 5,3% de analfabetismo para os jovens entre 15 e 24 anos e de 11,6% para a faixa etária de 25 a 29 anos. O Ipea vê uma redução acentuada do analfabetismo entre os jovens entre 1996 e 2006, mas ressalta que a melhora do indicador não foi acompanhada por uma diminuição das disparidades regionais. Representatividade De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia em 2006 no País 51,1 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, o que correspondia a 27,4% da população total. O número é 48,5% maior do que o de 1980, quando havia no País 34,4 milhões de jovens. A projeção do IBGE é de que os jovens somem 51,3 milhões de pessoas em 2010, quanto a tendência de crescimento da população jovem deve se reverter.  As estimativas do IBGE são de que em 2050, o total de jovens no Brasil deve chegar a 49,5 milhões. O Ipea ressalta que os jovens vêm perdendo representatividade na população total: em 1980, eles eram cerca de 29% da população, mas, em 2010, devem corresponder a 26,0%, e, em 2050, a 19,1%.

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