coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Jovens trocam startup por ONG

Especialistas em tecnologia optam por ganhar menos e ter mais satisfação no trabalho

Kristen V. Brown, San Francisco Chronicle, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2014 | 02h05

Quando Zac Halbert deixou seu trabalho em uma startup bem sucedida, estava em busca de uma atividade que tivesse mais significado. A ideia não era exatamente virar voluntário em um hospital na África, mas talvez dar suporte em tecnologia para os que trabalham como voluntários.

Em 2013, Zac trocou seu emprego de webdesigner em uma empresa de softwares por outro na Samahope, startup que busca financiamento para médicos em países em desenvolvimento.

Na troca, Halbert perdeu 40% do salário e teve de mudar para uma cidade mais barata. O que ganhou, contudo, não tem preço. "O problema em que estamos trabalhando vale a pena", disse ele.

Os fins de semana no campo do voluntariado não são tão excitantes para pessoas que trabalham com tecnologia, como Zac - pelo menos quando o trabalho do dia é projetar o próximo jogo viciante do momento.

"Eu desejava que o produto do meu trabalho tivesse um impacto positivo na maior parte das horas do meu dia", disse ele.

Zac Halbert tornou-se uma espécie de pregador do trabalho não lucrativo, insistindo junto a outros que trabalham com tecnologia para reavaliar seus valores e a maneira como encaram seu trabalho.

"Dei este salto depois de anos de busca desanimada por um trabalho que desse sentido à minha vida", afirmou, acrescentando que um trabalho mais significativo traria um salário menor.

Ora, como Zac tem explicado para seus colegas, o mundo do trabalho não lucrativo pode não ter jargões, opções de ações e muito dinheiro, "mas o resultado do seu trabalho faz diferença".

À medida que a aversão pelo setor de tecnologia e o espaço que ela ocupa em San Francisco se propaga, aumenta a percepção do lugar que o setor ocupa na comunidade. Alguns líderes da área de tecnologia têm respondido com auxílio beneficente. O Google, depois de meses de protesto contra seus ônibus privados, outorgou US$ 6,8 milhões para a cidade em fevereiro, voltados para o transporte de jovens de baixa renda.

Desigualdade. Quando os manifestantes se reuniram do lado de fora da premiação Crunchies Awards em fevereiro, o investidor Ron Conway saudou-os do palco. "Podemos não concordar com o que os manifestantes lá fora dizem, mas eles representam a inquietude quanto às desigualdades de renda", disse ele.

Os problemas sociais vêm despertando mais a atenção dos jovens especialistas em tecnologia do que há cinco anos, mas há outras razões que os levam para o mundo do trabalho não lucrativo.

"O setor de tecnologia mudou e está menos preconceituoso com relação ao setor social", disse Jim Fruchterman, que em 1989 criou a Benetech, uma empresa de tecnologia social. "Na época, criar uma organização não lucrativa era 'o fim da carreira' para um profissional", diz. Ao se tornar mais autônomo do ponto de vista tecnológico, o campo não lucrativo virou também um local desafiante à carreira de um engenheiro ambicioso.

Halbert enfatizou a diferença entre criar produtos que trazem lucro para as pessoas e o tipo de trabalho realizado por organizações não lucrativas. "Eu tornava a vida de contadores e gerentes mais fácil", disse ele. "Agora, quando digo que torno vidas melhores, me refiro, por exemplo, a de mulheres que sofrem com alguma doença."  (Tradução de Terezinha Martino)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.