JP Morgan compra controle da Gávea Investimentos, de Armínio Fraga

Acordo. Pelos termos do acerto, o ex-presidente do Banco Central continuará à frente da empresa por cinco anos e fará parte da direção e do conselho de administração da Highbridge, que administra US$ 21 bilhões em ativos e tem sede em Nova York

David Friedlander, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

O banco americano JP Morgan deve anunciar hoje a compra do controle da Gávea Investimentos, a empresa de gestão de recursos do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. O JP Morgan está comprando 55% da Gávea - que será integrada à Highbridge, a empresa de investimentos do banco americano. Pelo acordo, a fatia do JP Morgan na gestora brasileira ainda poderá aumentar ao longo do tempo.

Armínio continuará à frente da nova empresa e também fará parte do conselho de administração e da direção da Highbridge, que administra US$ 21 bilhões em ativos e tem sede em Nova York. Pelo acordo com os americanos, o ex-presidente do BC precisará permanecer na empresa durante os próximos cinco anos, pelo menos.

Procurado, Armínio Fraga não se pronunciou sobre a operação. Mas o fechamento do negócio afasta qualquer possibilidade de sua volta ao serviço público antes de 2015. Seu nome era cogitado para integrar um eventual governo do candidato tucano à presidência, José Serra.

Festa. O anúncio do acordo, programado para ser feito em Nova York e no Rio de Janeiro, será animado no Brasil pela presença do comitê internacional do JP Morgan, que se reúne pela primeira vez no País. Com encontros marcados para quinta-feira e sexta-feira, o conselho tem a presença de nomes de peso no cenário internacional, como o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair e o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas Kofi Annan.

Mas a festa do anúncio será comandada por Mary Erdoes, presidente do JP Morgan Asset Management, que já está no Brasil.

As negociações entre o JP Morgan e a Gávea se arrastam desde fevereiro deste ano. Na época, a imprensa publicou que o banco estaria interessado em adquirir uma participação minoritária na gestora de recursos brasileira. O JP Morgan exigia que Armínio continuasse à frente da Gávea por um bom tempo, ponto que teria dificultado o fechamento da operação, segundo fontes próximas ao negócio.

O relacionamento entre Armínio e o JP Morgan é antigo. Ele é membro do conselho internacional do banco desde 2004. A Gávea foi fundada em 2003, depois que Armínio deixou o BC, na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, o fundo de investimentos da Universidade Harvard comprou 12,5% de sua gestora de recursos.

Com um patrimônio de R$ 10 bilhões sob gestão e mais de 100 funcionários nos escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo, a Gávea atua em três áreas: fundos de hedge, gestão de patrimônio e private equity (compra de participação em empresas).

O JP Morgan, por sua vez, comprou uma participação na Highbridge no fim de 2004 e adquiriu o restante das ações no ano passado, consolidando sua posição na indústria mundial de hedge fund. Assim como na Gávea, um dos fundadores da Highbridge continuou à frente do negócio, no cargo de presidente. Desde dezembro de 2004, a Highbridge triplicou os ativos sob gestão, para mais de US$ 20 bilhões.

PARA LEMBRAR

Investimentos vão da mídia à aviação

A Gávea já investiu em empresas dos mais diversos setores, como a Droga Raia (rede de drogarias), a RBS e o Grupo ABC (mídia), CPM Braxis (tecnologia), a BRA (aviação) e a rede McDonald"s (alimentação). A BRA, adquirida pela Gávea em dezembro de 2006 juntamente com outros seis bancos e fundos internacionais, é tida como um de seus piores investimentos. Os investidores pagaram R$ 180 milhões por uma participação na empresa, que em 2007 pediu recuperação judicial.

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