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JP Morgan mantém a mesma recomendação sobre Brasil

O banco de investimento JP Morgan divulgou hoje a revisão para o mês de maio da sua carteira recomendada de títulos da dívida de países emergentes e manteve a mesma recomendação ("overweight", ou exposição acima da média do parâmetro de mercado) para a dívida do Brasil. "Decidimos manter a recomendação porque acreditamos que o risco político está mais do que precificado, contabilizado, nos spreads atuais dos títulos da dívida brasileira, que estão se aproximando dos spreads dos títulos da Venezuela, Equador e Uruguai", afirmou a diretora de pesquisa de renda fixa para mercados emergentes do JP Morgan, Joyce Chang. Segundo ela, ao mesmo tempo em que há pouca dúvida de que os títulos brasileiros estão sendo negociados em níveis atrativos tanto em termos absolutos quanto relativos, uma pesquisa feita com clientes há dez dias mostra que o Brasil era a quinta maior exposição "overweight" (acima da média do parâmetro de mercado) mesmo depois de os investidores terem reduzido suas exposições significativamente no mês anterior. "O recente movimento de venda da dívida brasileira deve ter trazido o mercado para uma posição neutra mas é improvável que uma posição vendida estrutural tenha sido estabelecida", explicou Chang. Venda dos títulos foi ?exagerada?Ao manter a mesma recomendação para os títulos da dívida do Brasil, a diretora de pesquisa de renda fixa para mercados emergentes do JP Morgan, Joyce Chang, disse ter considerado o recente movimento de venda dos títulos brasileiros exagerado. "A venda e a queda nos preços dos títulos da dívida do Brasil foi exagerada, embora as pesquisas de opinião para as eleições presidenciais não devam melhorar nas próximas semanas", disse Chang, no relatório Emerging Markets Outlook. Lula deve perder, analisa o bancoJoyce Chang disse que o Brasil continuará sendo o foco do mercado emergente de dívida. "Os acontecimentos que deixaram o mercado nervoso, especificamente o aumento do Lula (candidato do PT) nas últimas pesquisas de opinião, não deverão desaparecer em maio, quando novas pesquisas forem divulgadas", observou a analista. Mas, no final das contas, ressaltou Chang, o candidato do governo deverá vencer as eleições em outubro próximo. "A campanha não é oficialmente lançada até agosto, o que deixa bastante tempo para uma troca de candidatos se for necessário", acrescentou. As decisões dos bancos sobre o BrasilBasicamente, a decisão do JP Morgan é semelhante à do Dresdner, que também manteve a mesma avaliação sobre o Brasil. Já o Santander anunciou hoje que rebaixou a recomendação para os títulos do Brasil. Ontem, o holandês ABN Amro recomendou a seus clientes que evitem os títulos da dívida externa brasileira; o Morgan Stanley e a Merrill Lynch haviam rebaixado a recomendação para os papéis do Brasil no início da semana.

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 10h03

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