JP Morgan vê economia americana com extrema cautela

O diretor-executivo do banco norte-americano JP Morgan, James Dimon, afirmou hoje que a administração do banco se encontra extremamente cautelosa conforme avança o ano de 2008. "Se a economia se enfraquecer substancialmente daqui em diante - para o que, como empresa, temos de estar preparados -, isso afetará negativamente o volume de operações e puxará os custos do crédito", disse Dimon.O executivo afirmou, porém, que a companhia está "bem posicionada, dados os investimentos e providências" que o JP Morgan adotou nos últimos anos. Dimon liderou uma campanha de três anos para reduzir despesas e investir pesadamente em tecnologia.O banco anunciou hoje lucro líquido de US$ 2,97 bilhões no quarto trimestre de 2007, 34% abaixo do mesmo período do ano anterior. Nos últimos três meses do ano, o banco registrou uma baixa contábil de US$ 1,3 bilhão relacionada ao crédito de alto risco (subprime e CDOs).Recessão O diretor-financeiro do JP Morgan, Michael Cavanaugh, disse que a instituição não espera uma "recessão completa" nos EUA, embora as condições econômicas do país estejam piorando. O retorno sobre a ação do banco, uma importante medida da rentabilidade das empresas financeiras, caiu para 10% em dezembro de 2007, de 16% no ano anterior, com as provisões para créditos irrecuperáveis mais do que duplicando, para US$ 2,54 bilhões.O Chase, banco de varejo do JP Morgan, viu seus ganhos aumentarem 5%, apesar de mais do que quadruplicar sua reserva para inadimplência, para US$ 1,05 bilhão. Os encargos com o crédito de risco subprime quadruplicaram.Nos serviços de cartão de crédito da companhia, os lucros caíram 15%, já que as provisões para créditos irrecuperáveis aumentaram 40%. A receita cresceu 6%. A taxa de encargos líquidos do segmento, o montante de empréstimos que parecem irrecuperáveis, aumentou de 3,45% no ano anterior para 3,89%, enquanto o montante de créditos vencidos há mais de 30 dias cresceu de 3,13% para 3,48%.Para os bancos americanos, a crise das hipotecas subprime foi apenas o começo. Desde então, os problemas se disseminaram pelo setor de crédito ao consumidor, afetando os gastos com cartão de crédito na medida em que a economia norte-americana piora. As informações são da Dow Jones.

HÉLIO BARBOZA, Agencia Estado

16 de janeiro de 2008 | 13h28

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