JPMorgan compra o Bear Stearns por US$ 236 milhões

Cada ação do quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos foi negociada a US$ 2

Efe,

17 de março de 2008 | 05h18

O banco JPMorgan Chase fechou um acordo de compra com o Bear Stearns. Ele pagará US$ 2 por cada ação do quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos, o que representa valorar a companhia em apenas US$ 236 milhões. Veja também Bolsas da Ásia e Pacífico operam a segunda-feira em queda Fed reduz taxa de empréstimo entre bancos para 3,25%  Secretário do Tesouro dos EUA defende socorro a banco O acordo, anunciado esta noite em comunicado do JP Morgan após longas horas de negociações em Nova York, estabelece uma troca acionária de 0,055 ação deste banco por cada uma do Bear Stearns. O JPMorgan Chase assegurou que garante, com efeito imediato, todos os compromissos assumidos pelo Bear Stearns e suas filiais, e que proporciona os serviços para supervisionar suas operações. O banco também disse que, à parte da autorização necessária por parte dos acionistas do Bear Stearns, o acordo não está sujeito a nenhuma outra condição. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) e outros organismos supervisores deram seu sinal verde à transação e o JPMorgan Chase prevê fechar a aquisição no segundo trimestre deste ano. O Fed, além do sistema de financiamento que normalmente outorga mediante seu sistema de redesconto, fará uma contribuição especial para a transação, de até US$ 30 bilhões para os ativos do Bear Stearns que não tem liquidez suficiente, disse o JPMorgan. "O JPMorgan Chase respalda o Bear Stearns," afirmou o presidente e diretor-geral do banco, Jamie Dimon. "Os clientes do Bear Stearns e seus parceiros podem se sentir seguros que o JPMorgan garantirá os riscos assumidos pelo banco de investimento. Damos as boas-vindas a seus clientes, seus parceiros e empregados e ficamos encantados de ser seu aliado", afirmou. Dimon acrescentou que a transação agregará valor a longo prazo aos acionistas do JPMorgan Chase, pois representa um risco "assumido", dentro de uma "margem de erro apropriada". O presidente e diretor-geral do Bear Stearns, Alan Schwartz, disse no comunicado que "a última semana foi muito difícil" para a empresa. Esta operação representa "a melhor saída para todos (...), levando em conta nossa atual situação", afirmou. As duas partes trabalharam contra o relógio para fechar o acordo de compra e venda neste domingo, já que queriam tê-lo pronto antes da abertura na segunda-feira das bolsas de valores na Ásia e evitar portanto que as turbulências financeiras do Bear arrastassem outros bancos. Na sexta-feira, Schwartz, reconheceu em comunicado que a liquidez do banco tinha se deteriorado "de forma significativa". "O Bear Stearns esteve exposto aos rumores no mercado sobre nossa liquidez. Tentamos enfrentar e dissipar os rumores e separar os fatos da ficção. No entanto, devido a esses comentários do mercado, nossa liquidez se deteriorou de forma significativa nas últimas 24 horas", disse. O anúncio do banco gerou uma grande turbulência em Wall Street e propiciou a intervenção do JPMorgan Chase e do Fed de Nova York. O Fed decidiu dar financiamento ao Bear Stearns, "por um período inicial de até 28 dias" para impedir que se afunde e arraste a outras empresas financeiras. Após o anúncio de Schwartz, as ações do banco desabaram na Bolsa de Nova York, caindo 47,37% para US$ 30 e arrastou o resto das firmas financeiras, que em seu conjunto caíram 3,72%. Com este fechamento, os US$ 2 que o JPMorgan pagará por cada ação do Bear Stearns são uma autêntica pechincha e em última instância os prejudicados são os acionistas, já que os títulos do banco não eram cotados abaixo dos US$ 20 desde 1995. O temor que era vivido desde sexta-feira era de que se o Bear Stearns quebrasse, o banco teria sido forçado a vender os títulos de hipotecas de alto risco a preços muito baixos. Isso teria feito o valor desses ativos cair ainda mais e afetado a solvência de muitos outros grandes bancos.

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