JPMorgan e Fed intervêm para socorrer seguradora dos EUA

Bear Stearns, quinta maior empresa que atua no mercado de hipotecas, anunciou problemas de liquidez

Agência Estado e Reuters,

14 de março de 2008 | 11h08

O JPMorgan anunciou nesta sexta-feira, 14, que chegou a um acordo, em conjunto com o Federal Reserve (banco central americano) de Nova York, para fornecer financiamento garantido para o Bear Stearns, conforme o necessário, por um período inicial de 28 dias. O Bear Stearns ressalvou, contudo, que não pode assegurar que qualquer alternativa estratégica seja bem-sucedida. O Bear Stearns, quinta maior empresa de seguridade dos EUA e que atua no mercado de hipotecas, declarou nesta sexta que sua posição de liquidez se deteriorou significativamente nas últimas 24 horas.   As ações da instituição despencaram mais de 45% pouco depois da abertura da Bolsa de Nova York.  Isso provoca aumento das incertezas em relação à extensão da crise do crédito imobiliário de risco nos EUA (subprime). Na última quinta-feira, o fundo Carlyle Capital declarou que não conseguiu fechar um acordo de refinanciamento com seus credores e jogou as bolsas - desde a Ásia até os futuros de Nova York - em pesada queda, assim como o dólar para abaixo de 100 ienes pela primeira vez desde 1995. Segundo o jornal Financial Times, o Bear Stearns estava exposto ao fundo Carlyle.   Veja também:   Entenda a crise nos Estados Unidos   Setor financeiro terá perdas de até US$70 bi no primeiro trimestre O sobe e desce do dólar  Veja os efeitos da desvalorização do dólar Fundo Carlyle Capital está perto do colapso BCs atuam para ajudar mercado de crédito   O JPMorgan disse que está trabalhando com o Bear Stearns para assegurar financiamento permanente ou "outras alternativas" para a instituição, que viu suas ações caírem fortemente nos últimos dias, por conta de preocupações com liquidez.   "O Bear Stearns foi o sujeito de uma grande quantidade de rumores no mercado com relação a nossa liquidez", disse o presidente e CEO do Bear, Alan Schwartz, em comunicado. "Nós tentamos enfrentar e dispersar estes rumores e separar o fato da ficção. No entanto, em meio à especulação do mercado, nossa posição de liquidez nas últimas 24 horas se deteriorou de forma significativa", acrescentou. O JPMorgan afirmou que acredita que o acordo não irá expor seus acionistas a "qualquer risco material".   O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, elogiou a atuação do Fed em meio às notícias de que o JPMorgan e o Fed de Nova York socorrer o Bear Stearns. Paulson afirmou que os mercados financeiros dos EUA são "flexíveis e resistentes" e disse que está confiante de que os esforços dos órgãos reguladores e participantes do mercado para lidar com os desafios nos mercados financeiros "vão minimizar os distúrbios no sistema".   Mercados   As bolsas em Nova York recuam em reação à notícia sobre o socorro ao Bear Stearns. A notícia fez com que as ações da instituição perdessem quase metade do seu valor, experimentando movimento de queda livre. Às 13h17 (de Brasília), o índice Dow Jones recuava 1,26%, o Nasdaq tinha queda de 1,64% e o S&P 500 cedia 1,56%.   Os mercados acionários subiram mais cedo, depois que o Departamento de Trabalho divulgou que o índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA ficou estável em fevereiro, enquanto analistas esperavam alta de 0,2%. O relatório amenizou os temores de inflação e abriu espaço para cortes mais agressivos no juro pelo Federal Reserve.   Texto ampliado às 13h33

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