JPMorgan prevê alta da Selic em janeiro após relatório do BC

Analistas do banco mantêm previsão de alta dos juros em dois pontos porcentuais, elevando a taxa para 10,75%

Marcílio Souza, da Agência Estado,

25 de setembro de 2009 | 15h30

O banco JPMorgan Chase antecipou sua previsão de início da elevação da taxa Selic do quarto trimestre de 2010 para janeiro do ano que vem. Em relatório, os analistas Fabio Akira Hashizume e Julio Callegari afirmaram que mantiveram sua previsão de magnitude para a alta dos juros em dois pontos porcentuais, "por meio de quatro aumentos de 0,5 ponto porcentual no primeiro semestre, elevando a Selic para 10,75%, do nível atual de 8,75%". Eles também acreditam que os anúncios de normalização das exigências de reservas devem ocorrer já em dezembro deste ano, em vez de no segundo trimestre de 2010.

 

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Hashizume e Callegari justificaram que, "embora o Relatório de Inflação do terceiro trimestre divulgado hoje tenha mantido a postura neutra, reiterando que o nível atual da taxa de juros está consistente com uma recuperação econômica não-inflacionária o equilíbrio dos riscos revelado pelo documento está viesado para um aumento dos riscos inflacionários. O principal risco destacado pelo relatório é que o pico dos estímulos fiscais e monetários já concedidos poderá atingir uma economia com um nível muito menor de capacidade ociosa, provocando pressões inflacionárias.

 

"Vale mencionar que um pressuposto-chave de nossa previsão para a política monetária é que não haverá nenhuma reversão relevante do atual estímulo fiscal e quase-fiscal nos próximos meses, nem um aperto mais drástico da exigência de reservas do que o que já foi antecipado", afirma o relatório dos analistas.

 

Hashizume e Callegari chamam atenção para a "deterioração importante" das projeções para o IPCA no primeiro e segundo trimestres de 2011. "De fato, o nível do IPCA nesses dois trimestres está previsto para 4,6%, acima da meta de inflação", disseram eles, lembrando que, no relatório anterior, as previsões de inflação eram de 4,1% e 4,0% para o primeiro e segundo trimestres de 2011, respectivamente. "O BC destaca que parte da piora das previsões inflacionárias tem a ver com os impulsos fiscais que deverão estimular a economia nos próximos trimestres", diz o relatório.

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