JPMorgan prevê escalada na crise do euro

A crise da zona do euro deverá se agravar no primeiro semestre de 2012, forçando o Banco Central Europeu (BCE) a cortar os juros para 0,5% do nível atual de 1,25%. A economia da zona do euro entrará em recessão, o que tornará difícil o cumprimento de metas fiscais e a implementação de reformas estruturais acordadas. Já os investidores internacionais terão de aceitar um desconto (ou "haircut" no jargão em inglês do mercado) muito mais "severo" da dívida da Grécia do que os 50% já acordados com os líderes europeus no final de outubro. Portugal e Irlanda também deverão reestruturar suas dívidas. E os juros pagos pelos países periféricos deverão subir mais ainda nos próximos meses.

FÁBIO ALVES, Agencia Estado

29 de novembro de 2011 | 07h22

Esse é o cenário base que o banco norte-americano JPMorgan está trabalhando para a zona do euro em 2012. "Se 2010 foi o ano da erupção da crise soberana da União Europeia (UE), 2011 foi o ano em que a crise atingiu uma fase perigosa", disseram os analistas do JPMorgan, liderados por Pavan Wadhwa em Londres, num relatório a clientes. Eles estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) dos países que adotam a moeda comum registrará uma contração média de 0,6% em 2012, sendo que para os países periféricos da região essa contração do PIB será de 1,8%. "Dado o estresse no sistema financeiro, a recessão poderá facilmente ser mais profunda do que a nossa projeção base, especialmente se as autoridades não administrarem a situação bem", comentam no relatório.

Com base numa deterioração econômica mais profunda e no risco de que Portugal e Irlanda sigam a Grécia e reestruturem também suas dívidas soberanas, os analistas do JPMorgan estimam que os bancos da zona do euro necessitarão de uma injeção de capital da ordem de ? 254 bilhões - bem maior do que a estimativa de ? 104 bilhões de necessidade de capital feita pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês). Segundo o JPMorgan, a exposição de bancos de países centrais da zona do euro aos ativos de países periféricos já ultrapassa ? 1 trilhão, ou 90% do capital e das reservas desses bancos.

Além da magnitude do problema, isto é, uma dívida a vencer no mercado de ? 2,5 trilhões de países como Itália, Espanha, Grécia, Portugal e Irlanda, os analistas do JPMorgan acreditam que a saída da crise do euro tem sido muito mais difícil de ser encontrada porque, entre outros motivos, a ação ou a resposta dos líderes da UE em termos de políticas necessárias está "atrás da curva", ou seja, retardada em demasia. "Os países centrais da zona do euro, com as finanças mais saudáveis, e o BCE têm relutado em apoiar os países em risco em toda a extensão necessária desse apoio por temerem uma socialização da dívida ou exacerbarem o ''moral hazard'' (ou risco moral)", explicaram os analistas.

Para o JPMorgan, na "ausência de uma catástrofe" ao longo do primeiro semestre de 2011, o BCE deverá se abster de um papel mais relevante na estabilização dos mercados. "Ou o BCE eleva seu programa de compra de títulos da dívida significativamente, ou outro país poderá eventualmente perder seu acesso aos mercados de capitais", alertaram os analistas do banco americano. Contudo, com a escalada da crise, o JPMorgan prevê uma política conjunta do BCE, da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) já no segundo semestre de 2012, a qual poderá estabilizar em última instância as taxas de juros pagas pelos papéis soberanos da zona do euro.

Os analistas do JPMorgan projetam uma necessidade de financiamento de quase ? 900 bilhões somente da Itália e da Espanha para os próximos três anos. Por outro lado, eles projetam que o máximo de fundos disponíveis de várias fontes de financiamento poderá chegar a apenas ? 725 bilhões para fazer frentes às necessidades de financiamento dos governos italiano e espanhol nos próximos três anos.

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