Jucá diz que não há aumento de imposto no curto prazo

Ministro do Planejamento participa, em São Paulo, da reunião com o presidente em exercício Michel Temer e o ministro da Fazenda , Henrique Meirelles

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2016 | 17h58

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirmou que “no curto prazo, não está no horizonte aumento de impostos” pelo governo, ressaltando que quem define este tema é o presidente da República em exercício, Michel Temer, que se reuniu hoje,em São Paulo, com Jucá e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Jucá apontou que as medidas econômicas precisam ser adotadas com rapidez, porque o PIB (Produto Inteno Bruto) deve cair de forma sensível neste ano e o desemprego está em pleno avanço. Ele ressaltou um tema destacado hoje pelo ministro da Fazenda, que a as ações do  governo para ajustar as contas públicas serão adotadas e não terão retorno.

“Medida de austeridade, para mudar a realidade econômica, recuperar a segurança jurídica junto a investidores esse é um mantra permanente que vamos buscar. Não tem recuo”, disse Jucá.

Austeridade. Meirelles afirmou que "as medidas de austeridade (fiscal) estão aí para ficar." Antes de participar de reunião com o presidente em exercício Michel Temer e o ministro  Jucá, Meirelles destacou que tais ações por parte do governo "serão fundamentais para o equilíbrio das contas públicas, e mais importante, para que isso sinalize uma volta da confiança, do crescimento."

Na avaliação do ministro da Fazenda, o retorno da confiança ao País será essencial para o aumento dos investimentos, do consumo, das vendas. "É um ciclo virtuoso que pode levar ao crescimento, que é exatamente a inversão do processo atual que foi gerado por uma queda da confiança da economia."

Para Meirelles, as medidas visam que o "o aumento das despesas no futuro seja menor e que possamos ter um Estado brasileiro totalmente financiável no futuro, com finanças equilibradas e uma trajetória de dívida pública sustentável."

Meirelles destacou que entre as medidas que serão anunciadas na próxima segunda-feira pelo governo não estará a proposta da reforma da Previdência Social, que está em estudos, e contará com a análise de uma comissão formada por centrais sindicais, o Poder Executivo e especialistas e será divulgada no devido tempo.

O ministro da Fazenda mostrou-se otimista com a receptividade do Congresso Nacional sobre as medidas de austeridade fiscal que serão apresentadas pelo governo. "Espero do Congresso que entenda as necessidades do povo brasileiro e das finanças públicas. Acredito que será uma negociação muito produtiva, todos os contatos que tenho tido até o momento são muito positivos." Meirelles destacou que eventualmente está conversando com lideranças no parlamento e que "a receptividade é boa."

Dificuldade. O ministro do Planejamento destacou que a apresentação do déficit primário de R$ 170,5 bilhões para este ano foi a constatação de um quadro fiscal de extrema dificuldade. "Agora, vamos começar a operar medidas que melhorem essa dificuldade até fazermos a travessia para outro tipo de situação que é o ideal: equilíbrio fiscal, geração de empregos, crescimento econômico, enfim credibilidade, estabilidade e segurança jurídica."

Jucá apontou que há grande diálogo entre os ministros sobre as medidas que devem ser anunciadas na próxima segunda-feira, com destaque para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Republica em exercício, Michel Temer. "Temos bastante discussão, a palavra final é do presidente da República", comentou.

O ministro do Planejamento apontou ainda que as medidas que estão no foco do governo atuam em diversas linhas diferentes. "Desde a contenção de gastos, limitação de despesas, mudança do quadro de endividamento", disse. "São muitos assuntos, cada um terá seu calendário próprio. Mas estamos formulando saídas para que o Brasil possa sair rapidamente desta crise."

 

 

 

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