Juiz aceita proposta da TGV, mas impõe condições

O juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, que cuida do processo de recuperação judicial da Varig, aceitou hoje a proposta dos Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). Contudo, o juiz anunciou, em entrevista coletiva no Rio, que vai impor condições. Entre essas condições, o juiz deu mais 48 horas para o grupo dos trabalhadores da companhia explicar origem dos recursos. O primeiro prazo para a entrega desta documentação estava marcada para hoje, 14h. A documentação não foi entregue. O novo prazo ficou marcado, portanto, para quarta-feira, ao meio-dia.Caso a TGV não consiga cumprir as exigências feitas hoje pela Justiça, o que automaticamente invalidaria sua proposta vencedora, o juiz Ayoub admitiu a possibilidade de realizar um novo leilão da Varig. Segundo ele, a eventual recusa da oferta da TGV demandaria uma nova disputa via leilão - em data ainda a ser definida. "Se o investidor quiser se associar à NV (consórcio liderado pela TGV), pode. Aliás, acho que esse é o caminho." Ayoub não vê qualquer impedimento para que novos grupos venham a integrar o consórcio liderado pela TGV. Ele rechaçou, porém, a hipótese de uma oferta direta pela companhia, fora do grupo vencedor do leilão. Fontes que acompanham a negociação da Varig relataram que o presidente da estatal portuguesa de aviação TAP, Fernando Pinto, esteve reunido nesta segunda-feira de manhã na sede do Tribunal de Justiça do Rio com o reestruturador da Varig, Marcelo Gomes, da consultoria Alvarez & Marsal. O juiz não quis comentar estas informações.De acordo com essa fonte, Fernando Pinto estaria interessado em fazer uma outra proposta pela companhia, e estaria formando um grupo integrado, além da TAP, pela Air Canadá, e pelo fundo de investimento canadense Brookfield, que chegou a se credenciar no leilão da Varig, realizado na quinta-feira.O TGV foi o único a formalizar uma proposta no leilão que aconteceu na quinta-feira no valor de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), que é quase metade dos US$ 860 milhões avaliados pelos organizadores para a venda da Varig, como preço mínimo para a operação, incluindo operações internacionais e domésticas. Na primeira etapa do leilão, quando o valor mínimo deveria ser obedecido, nenhuma proposta foi apresentada. Na segunda etapa, sem preço mínimo, o TGV fez sua proposta.Cancelamento de vôosBalanço da Varig divulgado hoje informa que, desde sábado, a companhia aérea já cancelou 48 vôos. Só hoje o número de vôos cancelados foi 16, sendo quatro internacionais. De acordo com a companhia, as rotas suspensas foram: Rio-Buenos Aires; Buenos Aires-Rio; São Paulo-Buenos Aires e Buenos Aires-São Paulo. A assessoria de imprensa da empresa explicou que a Varig tenta reprogramar seus vôos para se adequar ao novo tamanho de sua frota. Além disso, a assessoria ponderou que questões climáticas também influenciaram na suspensão. O aeroporto de Porto Alegre, por exemplo, ficou fechado devido ao mau tempo.O cancelamento dos vôos da companhia aérea começou no final de semana. A Varig suspendeu quatro vôos internacionais: São Paulo-Miami; São Paulo-Nova York; São Paulo-Cidade do México e São Paulo-Santiago.Vôos cancelados hoje2313 - Salvador / Rio (Galeão) 2314 - Rio (Galeão) / Salvador 2317 - Salvador / Rio (Galeão) 2251 - Rio (Galeão) / São Paulo (Guarulhos) 8612 - Rio (Galeão) / Buenos Aires 8613 - Buenos Aires / Rio (Galeão) 8648 - São Paulo (Guarulhos) / Buenos Aires 8649 - Buenos Aires / São Paulo (Guarulhos) 2822 - Rio (Galeão) / Vitória 2823 - Vitória / Rio (Galeão) 2032 - São Paulo (Congonhas) / Belo Horizonte ( Confins) 2083 - Belo Horizonte (Confins) / Rio (Galeão) 2083 - Rio (Galeão) / São Paulo (Congonhas) 8923 - São Paulo (Guarulhos) / Rio (Galeão) 2200 - São Paulo (Guarulhos) / Manaus 2201 - Manaus/ São Paulo (Guarulhos)Este texto foi atualizado às 19h16, com inclusão de informações.

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