Juiz diz que recebeu "proposta indecente" de advogado de Magalhães

O juiz da 1ª Vara Federal Criminal, Marcos André Bizzo Moliari, disse hoje o que o advogado criminalista Nelio Machado, que defende o ex-presidente do banco Nacional Marcos Magalhães Pinto, há cerca de seis meses o convidou, em tom de brincadeira, para trabalhar em seu escritório de advocacia. "Achei que foi uma proposta indecente, mas não um suborno. E sim uma malandragem de advogado", disse o juiz.Moliari fez a declaração para responder a uma afirmação de Machado, que o chamou de "imaturo". O juiz disse também que forneceu cópia autenticada dos fundamentos da prisão a todos os advogados na sexta-feira. E deu, naquele momento, livre acesso a uma única cópia do processo, que ficou no prédio da Justiça Federal.De acordo com o juiz, hoje, quando a sentença seria lida, cada advogado receberia uma cópia. O juiz disse que os advogados têm o direito de fazerem representação contra ele se acham que foram cerceados, mas no seu entender não houve cerceamento algum.O juiz afirmou também que era praxe na Justiça Federal que o réu preso fosse chamado para ouvir a sua sentença. O juiz explicou que sabia que quando fosse feita uma audiência hoje, os principais réus já estariam presos. Hoje, compareceram à Justiça Federal os quatro absolvidos e mais dois condenados que não foram presos no processo de gestão fraudulenta no banco Nacional.O juiz não soube, porém, informar quais foram os condenados que compareceram. De acordo com Moliari, a fraude no Nacional se dava com base em uma trinca formada pelo presidente Marcos Magalhães Pinto, pelo superintendente, Arnoldo de Oliveira, e pelo vice-presidente de controladoria, Clarimundo Sant´Anna. "O banco Nacional já estava em dificuldades antes da entrada do Arnoldo. Mas foi o Arnoldo de Oliveira que concebeu (a fraude); Marcos Magalhães Pinto aceitou e lhe deu carta branca e Clarimundo executou", afirmou.O juiz disse também acreditar que em 30 dias dará a sentença de outro processo do caso banco Nacional, o de gestão temerária. O juiz disse ainda que tanto os advogados tiveram acesso ao processo que as penas saíram na imprensa no fim de semana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.