Juiz é preso por desordem e desacato em Maceió

O juiz de Direito, Antônio Bittencourt de Araújo, titular da Vara de Entorpecentes de Maceió e filho do desembargador aposentado José Agnaldo Araújo, foi preso na madrugada de hoje por policiais militares, quando saia de um bar na orla marítima, acompanhado de um segurança. Bittencourt foi autuado em fragrante, acusado de perturbação de ordem e desacato a autoridade policial. Ele foi preso armado, com uma pistola 765, com dispositivo de rajadas. O advogado Fábio Ferrario, que defende o juiz, não quis falar sobre as acusações contra seu cliente. Segundo os policiais da Rádio Patrulha, o juiz foi abordado com a arma em punho, embriagado e resistiu à voz de prisão, alegando que era autoridade judicial, saindo em seu carro, que foi interceptado alguns quilômetros depois, em frente à barraca Pedra Virada. Na hora da prisão, o juiz teria apontado a arma para os policias que tentavam prendê-lo. "Se não fosse o segurança, que pegou no braço direito do juiz, desviando o cano da arma para cima, o tiro tinha acertado um de nós", comentou um dos policias que efetuaram a prisão do magistrado.Bittencourt foi levado para o prédio do Tribunal de Justiça de Alagoas, onde foi ouvido pelo desembargador Fernando Tourinho, que está à frente das investigações já que o acusado tem foro privilegiado. Segundo a assessoria jurídica do Tribunal, o juiz ficará detido até que o caso seja esclarecido.O juiz poderá também responder por tentativa de homicídio, se ficar provado que o tiro que ele disparou tinha intenção de acertar os policiais que efetuaram a sua prisão.ReincidênciaNa madrugada de 9 de junho de 2000, Bitterncourt se envolveu numa briga com jovens de classe média alta, numa boate famosa, na praia de Ponta Verde. Ele deu queixa da surra que levou na delegacia de plantão. Os policiais de serviço não levaram a sério a denúncia, porque o juiz estava embriagado. Por isso, pediram que ele fosse para casa. Inconformado com indiferença dos policias, o magistrado xingou a todod, gritou impropérios e ameaçou soltar os presos. Antes de ir embora, teria urinado na ante-sala do delegado. Como os policiais civis não foram prender os jovens que tinham brigado com ele, o juiz deixou a delegacia da Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (Ciapc) e foi de carro até a sede da Polícia Federal, onde voltou a fazer a queixa. Vendo seu estado de embriaguês, os policiais de plantão fizeram algumas ponderações e pediram que o juiz fosse embora. Como o magistrado continuava alterado, um agente da PF telefonou para um desembargador e pediu ajuda. Horas depois, um camburão da PM chegou à sede da PF e levou o magistrado para casa.

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