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Juiz mantém Cacciola preso e Interpol crê na extradição

Fracassa a primeira tentativa de soltar o ex-banqueiro preso em Mônaco no sábado

Andrei Netto, enviado especial do Estadão,

16 de setembro de 2007 | 17h52

A primeira tentativa de soltura do ex-banqueiro Salvatori Cacciola, preso na manhã de sábado, 14, no Principado de Mônaco, na Europa, fracassou. Por ordem de um juiz de instrução, o empresário considerado o foragido número um do Brasil há sete anos permanece preso. A Interpol está otimista quanto à viabilidade do pedido de extradição do ex-banqueiro.   Veja também:Cacciola passa o fim de semana em cela coletiva em MônacoBrasil deve pedir extradição de Cacciola Prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 1,57 bi Cacciola está preso na Maison d'Arrêt, uma casa de detenção situada no distrito de Monaco-Ville, o mais importante do balneário de luxo europeu. Com a garantia de que Cacciola deverá seguir detido nos próximos dias, o Ministério da Justiça deve encaminhar até segunda-feira, 17, por meio do Itamaraty, um pedido de extradição ao governo de Mônaco. O eventual acordo entre governos porá fim a sete anos de impunidade do ex-banqueiro, que desde 2000 vivia refugiado na Itália. Segundo o Ministério da Justiça, os contatos do governo brasileiro com o Executivo de Mônaco visando à extradição serão mantidos via Ministério das Relações Exteriores, representado no caso pela embaixada do Brasil em Paris. Até este domingo, a embaixadora Vera Pedrosa não havia sido informada formalmente pela Justiça de Mônaco sobre a prisão do ex-banqueiro. A expectativa da Secretaria Nacional de Justiça, em Brasília, é de que Cacciola possa ser apresentado à imprensa na segunda-feira, mas nenhuma das instituições européias envolvidas confirma esta informação. Prisão Cacciola foi preso na manhã de sábado, em Mônaco, durante uma checagem de dados no setor de imigração, quando tentava ingressar no país. Por meio do sistema de informática, agentes tomaram conhecimento do pedido internacional de prisão de número 36.868/2000 - chamado "Notícia Vermelha" -, que solicitava sua prisão. O empresário não reagiu e as circunstâncias da detenção, como horário e local, não foram informados à Polícia Federal brasileira no comunicado em francês distribuído pela secretaria da Interpol a partir de sua sede, em Lyon, na França. "Não sabemos nem onde, nem quando a prisão ocorreu, tampouco quem a fez. Mas essas informações são menos importantes neste momento e via de regra elas não são reveladas pela Interpol", explicou uma fonte da Coordenação de Polícia de Imigração da PF, que pediu para não ser identificado. De acordo com informações obtidas pelo Estado com a polícia de Mônaco, o ex-banqueiro foi ouvido ainda no dia da detenção por um juiz de instrução. No leque de opções do magistrado estava conceder a liberdade a Cacciola ou ordenar a continuidade de sua detenção. Os documentos que embasavam este pedido - entre os quais a sentença de condenação, o mandado de prisão expedido pela Justiça e um texto de exposição dos fatos - levaram a autoridade judiciária do principado a descartar a soltura.  Cacciola foi então transferido para a Maison d'Arrêt, um presídio com capacidade para 90 detentos, situado em meio a prédios históricos no centro administrativo da cidade-Estado. Neste domingo, dois advogados italianos do ex-banqueiros eram esperados em Mônaco, onde organizarão a defesa de seu cliente. Em função do domingo e da suspensão das atividades da administração pública, nenhum novo encaminhamento foi feito pelo Ministério da Justiça brasileiro ou pelo governo local. Embora com pouco destaque, a prisão foi divulgada pela imprensa no sul da França e em Mônaco. Em nota, o jornal Monaco Matin ressaltou o pedido de extradição feito por Brasília. Mesmo com a abordagem breve por parte da mídia, todos os membros da administração de Mônaco contatados pela reportagem na Polícia Municipal, no Tribunal de Justiça, na Maison d'Arrêt e no jornal oficial demonstraram conhecimento sobre a detenção do ex-banqueiro, um sinal de repercussão da prisão no país de 31 mil habitantes. Caso Marka Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça brasileira em 2005, mas desde 1999 era procurado pelos crimes de gestão fraudulenta, corrupção passiva e peculato quando administrava o Marka, banco de sua propriedade. Ao lado do FonteCindam, o Marka causou prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central durante a desvalorização do real de 1999. Naquele ano, Cacciola chegou a ser preso preventivamente a pedido do Ministério Público, mas, libertado pela Justiça, fugiu do País. Desde então, o pedido internacional de prisão havia sido distribuído pela Interpol aos 186 países signatários do acordo. Refugiado na Itália, Cacciola havia obtido o direito de permanecer em liberdade, escapando à extradição por ter também a cidadania italiana - o ex-banqueiro é nascido em Milão e é naturalizado brasileiro. Desde então, vivia em Roma, em um hotel de sua propriedade.

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