Juiz que ameaçou leilão atuou no caso Dorothy

O leilão de uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Hidrelétrica de Belo Monte, esteve ameaçado pela atuação do juiz federal de Altamira, Antonio Carlos de Almeida Campelo.

Felipe Recondo, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A dúvida sobre o leilão, que pairava sobre Brasília desde a semana passada, pôs em alerta o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, obrigou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região a julgar o assunto em regime de urgência e deixou inseguras as empresas participantes.

Nascido em Belém, há 47 anos, Campelo foi, antes de aprovado no concurso para a magistratura, funcionário do Banco do Brasil até 1995. Depois, foi assessor da Assembleia Legislativa do Amapá até 1996, procurador do Estado do Amapá até 2000 e juiz estadual em Roraima até 2002.

Em julho de 2002, foi empossado juiz federal substituto na 4ª Vara da Seção do Pará. Ainda em Belém, respondeu também pela 5ª Vara, a única da capital com competência para analisar questões ambientais.

Em Altamira, é responsável por todos os processos da cidade, com 77 mil habitantes. Num dos últimos casos polêmicos a passar por suas mãos, Campelo decretou a prisão preventiva em 2008 do fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão. Denunciado pelo Ministério Público Federal por grilagem e tentativa de estelionato, o fazendeiro era um dos acusados pela morte da missionário americana Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005.

Na região, conforme outros magistrados e advogados, é visível uma relação mais próxima entre juízes de primeira instância e Ministério Público. Essa afinidade foi evidente em todo o processo de questionamento de Belo Monte. Desde o começo, Campelo concordou com as alegações do MP, o que levou, nos últimos dias, às três liminares que colocaram o leilão de ontem em risco.

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