Juízes da Corte Suprema estariam com os dias contados

"Chantagem". Com esta palavra, o presidente Eduardo Duhalde definiu a decisão da Corte Suprema de Justiça, ocorrida na sexta-feira, de declarar como "inconstitucional" o semi-congelamento dos depósitos bancários, conhecido popularmente como "el corralito" ("o curralzinho"), decretado no início de dezembro passado por Fernando De la Rúa, na época, presidente da República. O "corralito" tornou-se no maior motivo de protestos populares contra o governo. Ao longo de dezembro, a própria Corte havia impedido diversas ações na Justiça contra o confisco bancário.A determinação da polêmica Corte Suprema ocorreu na véspera do anúncio do pacote econômico do governo, que por esse motivo foi suspenso até ontem (domingo) à noite, já que teve que ser reconfigurado.A "chantagem" citada por Duhalde refere-se ao fato de que a decisão da Corte em proibir o "corralito" coincide com o fim de três semanas de intensos protestos populares que pediam a remoção imediata dos nove juízes que a compõem, todos acusados de estarem envolvidos em graves casos de corrupção e enriquecimento ilícito. Nos últimos dias, para atender os pedidos populares, o governo havia começado a dar sinais de que não colocaria obstáculos para um julgamento político da Corte. Existem 28 pedidos de julgamento político contra membros da Corte Suprema. Segundo o presidente da Comissão de Julgamento Político da Câmara de Deputados, Sergio Acevedo, "a Corte não pretende resolver o problema das pessoas que possuem depósitos imobilizados. Ela quer é criar um problema para o governo". Acevedo afirmou que a Comissão trabalhará "dia e noite" para iniciar o julgamento político dos juízes antes do fim do mês. Os juízes poderiam ser suspensos daqui a duas semanas, enquanto que o julgamento poderia se prolongar por dois meses. Segundo Duhalde, esta Corte é a que "desgraçadamente possibilitou que a Argentina esteja como está hoje".Ao determinar a inconstitucionalidade do "corralito", a Corte esperava deter a onda de protestos populares contra ela. No entanto, a imagem da Corte, profundamente negativa depois de uma década de escândalos, não melhorou entre a população, que continuou seus protestos contra os juízes.

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