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Julho e agosto mostram investimento maior no 3ºtri, diz BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Afonso Bevilaqua, afirmou nesta quinta-feira que dados preliminares dos meses de julho e agosto, como, por exemplo, o de absorção doméstica de bens de capital e importação de bens de capital mostram que, no terceiro trimestre, a taxa de investimento está se acelerando, revertendo a queda do trimestre anterior. Segundo ele, a absorção doméstica de bens de capital está crescendo cerca de 15,29% no terceiro trimestre ante igual período de 2005 e a importação de bens de capital cresceu à taxa de 26% no período de julho e agosto ante igual período do ano passado. "O investimento é um indicador volátil, mas o fato é que ele continua se expandindo em níveis comparáveis à década de 90. Há uma recuperação progressiva nesse indicador", afirmou Bevilaqua. Segundo o diretor do BC, a aceleração no investimento é um dos fatores que respaldam a expectativa de uma aceleração no nível de atividade econômica no segundo semestre, mencionada no relatório de inflação divulgado nesta quinta. O diretor do BC mencionou a taxa de investimento divulgada pelo IBGE, de 20,1% no segundo trimestre, para referendar o raciocínio de que os investimentos estão recuperando níveis dos melhores momentos na década passada. "A Formação Bruta de Capital Fixo, de 20,5% no primeiro semestre foi o melhor resultado para o período desde 1995", afirmou.Segundo ele, outros fatores como a recuperação da renda, do emprego, expansão nas vendas e no crédito, além da produção também reforçam essa expectativa de um PIB mais robusto no segundo semestre. Ele afirmou ainda que, no terceiro trimestre, o BC espera um crescimento maior do PIB por um efeito estatístico inverso ao do segundo semestre, pelo fato de que a base de comparação do terceiro trimestre de 2005 é fraca. DívidaBevilaqua afirmou que o Tesouro Nacional já conseguiu comprar no mercado de câmbio todo o montante que precisava para fazer frente ao pagamento dos vencimentos de dívida externa deste ano. No total, segundo Bevilaqua, foram adquiridos pelo Tesouro US$ 12,333 bilhões. Para o próximo ano, o diretor do BC disse que o Tesouro já conseguiu comprar até a última segunda-feira o valor correspondente a US$ 3,361 bilhões, do total de US$ 8,241 bilhões dos vencimentos que deverão ser honrados no próximo ano. "Falta para o Tesouro contratar em mercado mais US$ 4,880 bilhões", afirmou.Ele também destacou que o Banco Central já conseguiu comprar cerca de US$ 50 bilhões no programa de recomposição de reservas internacionais, iniciado em janeiro de 2004. Política monetáriaBevilaqua, afirmou que houve uma melhora significativa na coordenação de expectativas do mercado em relação às decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 14,25% ao ano). Segundo ele, essa melhora se consolidou no período de flexibilização da política monetária, iniciada em setembro de 2005. "Há um aumento grande da previsibilidade das decisões do Copom, que reflete um aumento da credibilidade da política monetária. Isso também se reflete nas taxas de juros mais longas", disse o diretor do BC.Para referendar o seu raciocínio, ele mostrou dois gráficos indicando os desvios entre as expectativas do mercado e as decisões do Copom com defasagens de um mês e de três meses entre a projeção e a decisão. Bevilaqua não disse se o atual nível de previsibilidade é o que deve ser mantido no longo prazo. O diretor afirmou, no entanto, que não se deve esperar uma previsibilidade total das decisões do BC. "Previsibilidade total não ocorre em nenhum lugar do mundo", declarou.Questionado sobre se no próximo ano o número de reuniões do Copom será mantido em oito, como ocorreu pela primeira vez em 2006, Bevilaqua afirmou que não vê razão para que haja mudança, mas ressalvou que essa é uma decisão que ainda será tomada e anunciada em outubro. Ele fez uma longa e enfática defesa da dosagem da política monetária executada nos últimos meses. Respondendo a reiterados questionamentos sobre se o BC não teria agido com excesso de conservadorismo na gestão dessa política - uma vez que as projeções de inflação apontam para um IPCA abaixo do centro da meta e a expectativa de crescimento econômico vem sendo revista para baixo, tanto pelo BC quanto pelo mercado -, Bevilaqua afirmou que não houve erro por parte da autoridade monetária. E que o desempenho desses indicadores não pode ser atribuído simples e unicamente à taxa de juros básica. "O BC de forma nenhuma errou com a política monetária", enfatizou Bevilaqua, acrescentando que é uma tendência natural no sistema de metas de inflação que os preços oscilem ao redor de uma meta central. E não fiquem só acima, como ocorreu no caso brasileiro em anos anteriores. "Os BCs devem refletir em média um grau de conservadorismo maior do que o da sociedade. É dessa forma que se dá sua contribuição para a estabilidade de preços. Se isso não ocorrer, o risco de inflação aumenta", argumentou o diretor, citando a conhecida frase que diz que "banqueiro central bom é banqueiro central conservador".InflaçãoBevilaqua disse que a probabilidade de a inflação deste ano ficar abaixo do piso da meta, que é de 2,5%, era de 20% na última reunião do Copom, porcentual, de acordo com Bevilaqua, que é praticamente o mesmo nos cenários de referência e de mercado usados pelo Banco Central para fazer as projeções de inflação contidas no Relatório Trimestral de Inflação divulgado na manhã desta quinta.De acordo com Bevilaqua, essa probabilidade pode ter aumentado porque a estimativa ainda não levava em conta o IPCA de agosto, de 0,05%, que surpreendeu o mercado. O cálculo também não considerou as reduções de expectativas de inflação ocorridas após a reunião do Copom em agosto, divulgadas na pesquisa Focus. Nesta semana, a projeção do mercado havia ficado em 3,03%. A probabilidade de descumprimento do teto da meta neste ano, por sua vez, foi reduzida para praticamente zero. "A probabilidade de a inflação ficar acima do teto da meta (6,5%) é desprezível", afirmou o diretor. Matéria ampliada às 14h50

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