Julho é 'momento da verdade' para Rodada de Doha, diz OMC

O mês de julho será "o momento daverdade" para o tão almejado pacto mundial de comércio, cujofracasso poderia minar o crescimento da economia global, azedarlaços diplomáticos e prejudicar os países pobres, afirmou nasexta-feira a Organização Mundial do Comércio (OMC). O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, convidou os ministrosdo Comércio dos países-membros a comparecerem a Genebra apartir do dia 21 de julho a fim de selarem acordos sobre asduas áreas mais delicadas da chamada Rodada de Doha: os cortesnas tarifas e subsídios agrícolas e as reduções nas taxas deimportação cobradas sobre os produtos industrializados. No memorando enviado aos ministros, e publicado pelo jornalInternational Herald Tribune, Lamy disse que um acordo nessasáreas abriria caminho para o restante das negociações, queincluem ainda os mercados de serviços e as regras de comércio. "As semanas vindouras representam o momento da verdade paraa Rodada de Doha", disse o chefe da OMC, ex-comissário doComércio da União Européia (UE). "Um acordo sobre os produtos agrícolas e industrializadospoderia gerar um impulso irrefreável e solucionar rapidamente arodada. Um acordo está a nosso alcance, mas todos precisaremosfazer algum sacrifício para chegarmos lá", acrescentou. O atual chefe da área comercial da UE, Peter Mandelson, e opresidente da França, Nicolas Sarkozy, cujo país acaba deassumir a Presidência rotativa do bloco, entraram em choqueabertamente, na última semana, a respeito do quanto osprodutores agrícolas da Europa desejariam ver concluído umacordo na Rodada de Doha. Evitando falar a respeito desse embate, o chefe da OMCdisse que os países ricos já haviam aceitado diminuir aproteção a seus produtos agrícolas em meio às negociações,iniciadas no Catar, em 2001. Os países desenvolvidos deram indícios de que podem cortaros subsídios pagos a seu setor agrícola em 70 por cento ereduzir as tarifas de importação do setor em 50 por cento, bemcomo diminuir os altos impostos de importação cobrados sobre osprodutos industrializados vindos dos países em desenvolvimento,afirmou Lamy. Os países mais pobres aceitariam tomar medidas para abrirseus mercados, disse o chefe da OMC, sem especificar essasofertas ou referir-se à controvertida exigência das nações emdesenvolvimento de excluir grandes setores de seus mercados deprodutos industrializados dos cortes de imposto. "A fim de concluirmos um acordo será preciso coragem ealguns de vocês podem estar receosos", disse, referindo-se aosgovernos dos países envolvidos, que precisariam autorizar seusrepresentantes da área comercial a fazerem concessões comvistas a garantir o avanço do processo. "Essas autoridades agem segundo as instruções recebidas devocês", disse Lamy no memorando enviado aos ministros doComércio. "Uma instrução agora para que sejam mais flexíveis à mesade negociações lhes poupará muitas dores de cabeça quando vocêsvierem para Genebra." A fim de que o acordo de Doha seja selado, é preciso haverconsenso em todas as áreas de negociação. O número deintegrantes da OMC vai aumentar de 152 para 153 no dia 23 dejulho, quando do ingresso de Cabo Verde. A Rússia e o Irãcontam-se entre os que ainda tentam fazer parte da entidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.