Juncker: intervenção em taxas de juros da Grécia é possível

A União Europeia não deve eliminar a possibilidade de intervir nas taxas de juros da Grécia, disse o chefe do Eurogroup, Jean-Claude Juncker, em entrevista neste domingo.

REUTERS

26 de junho de 2011 | 18h08

"A intervenção da UE sobre o nível das taxas de juros na Grécia é uma ideia que não pode ser excluída," disse ele ao programa Internationales, da televisão francesa TV5 Monde.

A Grécia integra o bloco de 17 países europeus onde as taxas de juro pelas quais os bancos centrais emprestam para os bancos comerciais são definidas pelo Banco Central Europeu -a mesma taxa para todos os países do grupo-- hoje a 1,25 por cento.

Juncker não deu mais detalhes, mas é provável que tenha feito uma referência à possibilidade de os fundos de empréstimo de emergência da zona do euro --Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM)-- comprarem títulos gregos em leilões primários.

Este tipo de compra de títulos está previsto nas regras do temporário EFSF e do permanente ESM, que vai assumir o papel do EFSF em meados de 2013 e será um interventor na taxa de juros pela qual o governo grego pode pegar empréstimos.

Políticos da zona do euro têm preferência por este tipo de operação para ajudar a facilitar o caminho de volta aos empréstimos em um país que foi eliminado.

Mas, para que a zona do euro faça intervenção em leilões primários na Grécia, Atenas precisaria estar sob o programa de empréstimos da EFSF. O país não está sob tal esquema agora, por que os empréstimos de emergência de 110 bilhões de euros que recebeu no ano passado foram bilaterais dos países da zona do euro.

A Grécia deve receber um novo plano financeiro para 2011-2014, desta vez da EFSF, mas antes disso o parlamento grego deve aprovar, até o final da próxima semana, um novo pacote de austeridade e reformas que vão permitir ao país que consiga atingir as metas acordadas no primeiro programa.

O segundo programa, que pode chegar a até 120 bilhões de euros, iria buscar o envolvimento de proprietários privados de títulos gregos, com a expectativa que eles voluntariamente mantivessem os seus investimentos nos papéis gregos na medida em que eles amadurecerem.

Juncker disse que o Eurogroup iria definir no próximo domingo o tamanho do envolvimento do setor privado.

"Nós veremos... quando eu presidir o Eurogroup no domingo, 3 de julho, qual será o volume das contribuições voluntárias do setor privado e vamos tirar conclusões disso," disse ele.

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