Junho perde US$ 9,3 bilhões em investimentos

Junho deste ano, segundo valores acumulados em 12 meses, apresentou repatriamento recorde de estoques de capitais produtivos alocados em participação acionária, alcançando o maior valor desde 1995: US$ 9,3 bilhões. Entre janeiro e junho de 2006 os ingressos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil somaram US$ 7,4 bilhões, uma queda de 13,2% em relação aos US$ 8,5 bilhões registrados no mesmo período de 2005. Segundo valores acumulados em 12 meses o ingresso chega a US$ 13,9 bilhões, valor sensivelmente inferior aos US$ 22,6 bilhões acumulados em doze meses registrados em junho de 2005, segundo levantamento realizado pelo Núcleo de Estudos de Negócios Internacionais da Universidade Mackenzie.Os US$ 7,4 bilhões em investimentos são o resultado de ingressos brutos de IDE realizados por estrangeiros (US$ 14,1 bilhões) menos as saídas de IDE, sempre associadas à operações realizadas por estrangeiros (US$ 6,7 bilhões). Os ingressos de IED no país (tanto a formação de ativos por estrangeiros quanto o desinvestimento realizado por não residentes) ocorrem em duas rubricas: participação de capital e empréstimos intercompanhias. Os estudos indicam que estes valores nada têm a ver com os fluxos de IDE realizados por brasileiros no exterior.Segundo o estudo do Mackenzie, um dos fatores explicativos para o recuo dos ingressos de IED no País pode ser os vultosos retornos de IED na rubrica de participação acionária, indicando um processo inédito desde pelo menos 1995, de desinvestimento bruto de estrangeiros na economia brasileira. Trata-se de um sinal amarelo, na medida em que os fluxos de ingressos brutos na participação de capital ainda são maiores do quês os fluxos de desinvestimentos, contudo, num mundo em que os fluxos de IED realizados pelas Empresas Transnacionais são disputados pelas vantagens alocativas dos diversos países, tal movimento deve ser cuidadosamente estudado pelos formuladores de políticas de estímulo a captação dessa modalidade de capital.Setores Do ponto de vista setorial, o setor terciário aparece como a área onde os fluxos de desinvestimento foram mais intensos. De fato, em relação ao aumento de US$ 2,3 bilhões nos retornos de IED em participação do capital, 86,3% estão alocados nesse macro setor. Especialmente a distribuição de eletricidade, gás e água encanada aparece como subsetor mais atingido pelo aumento de retornos. O estudo salienta que uma possível explicação diz respeito à conturbada e demorada formulação de marcos institucionais adequados para o capital nesse sub setor. Telecomunicações e atividades imobiliárias também apresentam ajuste na composição patrimonial segundo residentes e não-residentes. Em relação à telecomunicações, tal movimento deve ser explicativo da redução de rentabilidade e de preços dos títulos de renda variável desse subsetor.

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