Junho pode marcar mudança da trajetória da inflação, diz IBGE

O resultado acumulado do IPCA em 12 meses até junho (16,57%) pode representar "um ponto de inflexão" na inflação, segundo destacou a gerente do sistema de índice de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Junho foi o primeiro mês que registrou uma inversão na tendência de altas mensais consecutivas desse indicador desde agosto do ano passado, quando a inflação acumulada em 12 meses foi de 7,46%. Maio deste ano apresentou o pico da taxa nesse indicador (17,24%). A deflação de 0,15% de junho inverteu a trajetória de alta. "Se as taxas do segundo semestre deste ano forem mais reduzidas do que no mesmo período do ano passado, maio será realmente o pico da inflação em 12 meses e junho um ponto de inflexão", disse Eulina. Os motivos da deflação de junho A deflação do IPCA em junho (-0,15%) foi resultado da safra agrícola recorde, da estabilidade do dólar, da queda nos preços dos combustíveis e da retração do consumo, segundo avalia Eulina. Ela afirmou que os efeitos do choque cambial do ano passado sobre a inflação foram "praticamente esgotados" em junho. Um exemplo do efeito da queda do consumo sobre a inflação, segundo Eulina, é a redução nos preços dos aparelhos televisores (-2,71%). Ela ressaltou que a própria queda nos preços da gasolina (-4,94%), que representou o maior impacto para a deflação do mês, pode estar relacionada à retração da demanda, já que a redução de 6,5% no preço do combustível na refinaria ocorreu no final de abril. Por outro lado, a safra agrícola prevista de 118 milhões de toneladas, 22% superior ao ano passado e a "queda consistente" do dólar ao longo deste ano, provocou a primeira deflação no preço dos produtos alimentícios (-0,34%) desde maio de 2002. O choque cambial do ano passado pressionou os preços dos alimentos a partir de junho. O pico da alta dos alimentícios ocorreu em novembro do ano passado (5,85%), provocando a maior inflação mensal de 2002 (3,02%). A partir daí, os preços desses produtos começaram a cair lentamente, em conseqüência da queda do dólar e da entrada da nova safra, até chegar à deflação de junho. Julho depende de alimentos e combustíveis Eulina Nunes dos Santos disse que "uma nova deflação em julho dependerá do caminho que os preços dos alimentos e dos combustíveis vão tomar". Segundo ela, o único impacto já esperado para a inflação de julho refere-se ao reajuste de 11% praticado pela Eletropaulo a partir do último dia 4. Ela disse que ainda não calculou o impacto porcentual deste reajuste sobre o IPCA. O instituto ainda não calculou também o impacto sobre a inflação de um possível reajuste de telefonia, que permanece suspenso por decisões judiciais em vários locais do País. Queda generalizada O IPCA de junho apresentou uma "queda generalizada de preços", segundo afirmou Eulina. Ela explica que a queda ocorreu na maior parte dos alimentos - com destaque para tomate (-25%), cebola (-21%), cenoura (-16,01%) e açúcar cristal (-10,95%) e houve também redução em não alimentícios importantes, como remédios (-0,32%) e cigarros (-1,68%). Houve desaceleração também nos reajustes de produtos como artigos de limpeza (1,24% em maio para 0,35% em junho) e nas passagens aéreas (1,32% para 0,99%). A principal exceção de alta de preços foi o grupo de artigos de vestuário, que passou de aumento de 1,14% em maio para 1,89% em junho, em conseqüência da entrada das novas confecções no mercado. INPC A deflação do INPC (-0,06%) foi menor do que a do IPCA (-0,15%) por causa do menor peso da gasolina - principal contribuição de queda do IPCA - sobre a inflação medida para as camadas de renda mais baixa da população. O INPC registrou em junho a primeira deflação desde maio de 2000 e apresentou a maior queda de preços desde novembro de 1998 (-0,18%). O índice refere-se às famílias com renda de um a oito salários mínimos, enquanto o IPCA leva em conta rendimento de um a 40 salários mínimos.

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