Junho tem deflação; total de 12 meses é o menor desde 99

O País teve deflação de 0,21% em junho. O dado, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, resultou em uma inflação acumulada nos últimos 12 meses de 4,03% - total inferior à meta de 4,5% para o ano, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e a menor desde julho de 1999. O primeiro semestre do ano fechou em 1,54%, contra 3,16% apurados no mesmo período do ano passado.Segundo explicou o instituto, o principal responsável pela redução nos preços foi a desvalorização do álcool, que contribuiu com -0,11 ponto percentual do índice geral. O preço do litro ficou 8,77% mais barato para o consumidor entre maio e junho, como resultado da maior oferta da cana-de-açúcar e menor demanda pelo produto. A gasolina, com 20% de álcool em sua mistura, passou a custar menos 1,60% e ficou com a segunda menor contribuição individual do mês (-0,07 ponto percentual). No segundo trimestre, o álcool acumula queda de 18,95%, após um reajuste acumulado de 58,7% entre julho de 2005 e março deste ano.Os artigos de vestuário (de 0,90% para 0,59%) e os remédios (de 1,41% para 0,21%) também contribuíram na redução do índice de um mês para o outro. O resultado do grupo alimentos ficou em -0,61%, depois de registrar uma taxa perto de zero (-0,03%) em maio. Nos alimentos, apesar de poucos produtos apresentarem alta, o frango (de 8,42% para 4,60%) e o pão francês (de -0,64% para 1,29%) foram os destaques.Quanto aos índices regionais, apenas Recife (0,21%) e Belo Horizonte (0,15%) não mostraram deflação. Brasília (-0,69%) registrou o mais baixo resultado.ReferênciaO IPCA é o índice usado pelo governo como referência para a meta de inflação, que neste ano é de 4,5%. A última pesquisa do Banco Central mostra que a expectativa é de que não só a meta será cumprida, como deve ficar abaixo de 4%, a 3,98%. É este índice que baliza as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), em relação aos rumos da taxa básica de juros da economia, a Selic. Se os preços estão em alta, o Comitê eleva o juros para conter o consumo e, com isso, reduzir a pressão de alta sobre os preços. A última reunião do grupo baixou em 0,5 ponto porcentual a taxa, para 15,25% ao ano. O IPCA é calculado pelo IBGE nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do município de Goiânia, e mede a variação nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com rendas entre 1 e 40 salários mínimos. O período de coleta de preços vai do primeiro ao último dia do mês corrente e é divulgado aproximadamente após o período de oito dias úteis.Consolidação da estabilização A deflação de junho confirma que "há uma consolidação de todo um processo de estabilização de preços que vem desde o início do Plano Real", segundo avalia Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE. O IPCA de junho apresentou a menor taxa apurada pelo IBGE desde agosto de 1998 . Para Eulina, "sem dúvida" o Brasil pode abandonar a cultura inflacionária. "As pessoas estão sentindo maior segurança de que os preços estão controlados", analisou, acrescentando que "o Brasil entrou numa fase de completa desindexação, colhendo os frutos de um câmbio muito favorável". Eulina argumentou que, ainda que a deflação significativa de junho esteja vinculada à queda nos preços dos combustíveis, "muitos outros itens se mostraram relativamente estáveis ou com pequenas quedas de preços". Segundo a coordenadora, este momento de estabilidade da inflação em baixo patamar resulta da boa safra agrícola deste ano (118 milhões de toneladas) e, especialmente, do dólar favorável. "O dólar tem sido o principal instrumento para a estabilidade da inflação, com auxílio muito grande da safra", disse. Sem pressões Segundo Eulina, não há pressões de alta conhecidas para o IPCA de julho. A taxa deste mês será calculada de acordo com a nova estrutura de ponderações do IPCA do IBGE, que reduzirá o número de itens pesquisados e registrará mudanças de pesos em itens importantes como alimentos e gasolina.Eulina disse que é difícil prever qual será a conseqüência da nova ponderação sobre o resultado do IPCA de julho, já que dependerá "da configuração da inflação no mês", mas afirmou que "como os preços, em grande parte, estão estáveis, a gente pode arriscar que haverá pouca influência (da nova ponderação) na taxa". Ela esclareceu que o IPCA-15 de julho será calculado com o método antigo e o índice só aderirá às novas regras a partir da taxa de agosto. INPCO Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para a camada de baixa renda da população, caiu 0,07% em junho. Apesar da deflação, em maio retração havia sido menor, de 0,13%. O acumulado do ano ficou em 1,06%, bem menos do que em igual período do ano passado (3,28%). Nos últimos 12 meses, a taxa está em 2,79%, próxima dos 2,75% relativos aos doze meses imediatamente anteriores. Em junho de 2005, o índice ficou em -0,11%.No INPC do mês, os produtos alimentícios apresentaram variação negativa de -0,42%, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,07%.Quantos aos índices regionais, apenas Recife (0,25%), Belo Horizonte (0,21%) e Porto Alegre (0,14%) não mostraram deflação. O menor resultado, com deflação, foi registrado em Fortaleza (-0,42%).Este textoi foi atualizado às 14h51.

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