Juntos, Itaú e Unibanco lucraram R$ 10 bi em 2008

Primeiro balanço após a fusão mostra ativos de R$ 632 bi, 21% a mais que o BB, 2.º do ranking

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

O primeiro resultado conjunto do Itaú-Unibanco, cuja fusão foi anunciada em 3 de novembro, dá uma dimensão do poder de fogo da instituição: o lucro líquido somado superou R$ 10 bilhões em 2008 e os ativos totais alcançavam R$ 632,7 bilhões em dezembro. O segundo maior ganho do setor bancário em 2008 foi o do Banco do Brasil, com R$ 8,8 bilhões, também segundo colocado no ranking de ativos, com R$ 521,3 bilhões. "Temos sido muito procurados por investidores, que veem o banco como uma instituição com um futuro espetacular pela frente", disse o presidente-executivo do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, durante a apresentação do balanço.A integração dos dois bancos, segundo ele, está ocorrendo de maneira rápida, com destaque para a área de atacado. Setubal explicou que o segmento está na frente dos outros porque há poucos obstáculos quanto à integração tecnológica. Diferentemente do varejo, que, de acordo com ele, levará anos até ser integrado totalmente. Um efeito colateral dado como certo por analistas e sindicalistas é o aumento das demissões. Setubal reforçou ontem que o Itaú-Unibanco pretende ser um líder regional, o que implica aquisições no exterior em algum momento. No entanto, frisou que a prioridade, agora, é a integração das operações. Ele observou, também, que o Itaú-Unibanco não está atrás de barganhas, aproveitando a crise que atinge a maior parte dos bancos do mundo. "Não queremos nada barato porque, em geral, o que é barato é ruim." Nos últimos dias, surgiram rumores de que o Itaú-Unibanco seria um dos interessados no mexicano Banamex, o segundo maior daquele país, controlado pelo Citigroup. Reportagem do Wall Street Journal disse que a venda poderia atrair o interesse de bancos latino-americanos, americanos e europeus, entre eles o Itaú-Unibanco. Setubal disse que o banco pode até analisar a oportunidade, mas reiterou que a prioridade, hoje, é a integração. "Se alguma instituição significativa for ser vendida, vamos analisar se é possível investir nela."Setubal rebateu as críticas sobre o alto spread bancário brasileiro (diferença entre os juro que os bancos pagam na captação dos recursos e o que cobram dos clientes). "O spread reflete um prêmio de risco. Se olharmos ao redor do mundo hoje, veremos que o prêmio de risco subiu tanto para empresas ?triple A? (de primeiro nível) quanto para países, até mesmo os Estados Unidos", afirmou. "Há de fato um spread maior em função de um maior prêmio de risco." Segundo ele, o spread é maior aqui porque, "se você olhar as perdas no Brasil com a inadimplência, são muito maiores do que no resto do mundo". "O Brasil é um país onde ainda falta muita informação. Não há cadastro positivo, há nível de renda mais baixo, os bancos atendem empresas e pessoas físicas em uma faixa de risco que não é atendida em outros países."COLABOROU ANA PAULA RIBEIRO

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