Sascha Steinbach / EFE
Sascha Steinbach / EFE

Júri americano ordena que Monsanto pague US$ 2 bilhões a casal por efeito cancerígeno do glifosato

Esta é a terceira - e a que envolve o maior valor até o momento - decisão contrária à empresa do grupo Bayer pelo uso do produto

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 06h24

SAN FRANCISCO, EUA - Um júri popular de Oakland, na Califórnia, ordenou na segunda-feira, 13, que a Monsanto, empresa que pertence ao grupo Bayer, pague US$ 2 bilhões a um casal de idosos por considerar que um herbicida à base de glifosato lhes causou câncer.

Os 12 membros do júri consideraram que o herbicida Roundup da Monsanto, comercializado para a jardinagem doméstica, foi um "fator substancial" nos linfomas não hodgkinianos desenvolvidos por Alva e Alberta Pilliod.

O júri ordenou que a proprietária da companhia, a farmacêutica alemã Bayer, pague US$ 1 bilhão a cada um deles como punição exemplar, além de reembolsar os cerca de US$ 55 milhões que as vítimas gastaram ou gastarão em tratamentos de saúde, entre outras despesas.

"Sentimos muita simpatia pelo senhor e pela senhora Pilliod, mas as provas neste caso eram claras: ambos têm um longo histórico de doenças que se sabe que são fatores de risco para linfomas não hodgkinianos", alegou a empresa em um comunicado após saber da sentença.

"Não há provas científicas para concluir que o herbicida de glifosato foi o fator determinante", ressaltou a Bayer, que já antecipou que recorrerá contra a decisão.

Alva Pilliod, de 76 anos, foi diagnosticado com o linfoma em 2011, enquanto a mulher dele, Alberta, de 74 anos, descobriu que tinha a doença em 2015. O casal usou o herbicida Roundup da Monsanto durante 30 anos no jardim de sua casa em Livermore, na Califórnia.

Esta é a terceira - e a que envolve o maior valor até o momento - decisão contrária à Bayer pelo uso do glifosato. Em agosto, um júri de San Francisco condenou a empresa a pagar US$ 289 milhões (quantia reduzida posteriormente por um juiz a US$ 89 milhões) a um jardineiro. Em março, outro júri determinou o pagamento de US$ 80 milhões a um morador de Sonoma, também na Califórnia.

Já no Brasil, em fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluiu a reavaliação toxicológica do glifosato, o agrotóxico mais usado no país. O parecer da área técnica do órgão foi de permitir o uso, sob a alegação de que a substância não causa danos à saúde. / EFE

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