Júris de Cannes Lions terão 5 mulheres na presidência em 2015

Festival tenta ampliar participação feminina em júri; em 2014, meta de 30% do corpo composto por mulheres foi cumprida

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2014 | 02h04

Dos 15 presidentes de júri já anunciados para o Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade do ano que vem, 5 serão mulheres. Isso significa que a participação feminina será de um terço. Desde o ano passado, o festival vem tentando ampliar a participação de mulheres no júri. Em 2014, foi cumprida a meta de 30% de participação, uma evolução acelerada em relação aos 10% de presença feminina do ano anterior.

Neste ano, a brasileira Joanna Monteiro, da FCB Brasil, estará na presidência da categoria Mobile Lions. A vice-presidente de criação da agência comandou a equipe que conquistou o Grand Prix da categoria no festival passado com uma campanha para a marca de protetor solar Nivea Sun Kids.

As demais ocupantes da principal cadeira dos júris são: Wendy Clark, presidente da área de refrigerantes e de marketing estratégico da Coca-Cola (Branded Content & Entertainement Lions); Jean Lin, presidente global da Isobar (Cyber); Judy John, presidente e diretora criativa da Leo Burnett (Direct); e Lynne Davis, presidente e sócia sênior da FleishmanHillard Ásia-Pacífico (PR Lions).

O papel da mulher na publicidade e a baixa representação feminina nos cargos de direção de grupos do setor foram temas dominantes do mais recente festival. Uma das organizações que se dedicam ao estudo do problema é a The Three Percent Conference - que foi batizada em referência à quantidade de mulheres líderes em agências de publicidade.

No debate de Cannes Lions 2014, Laura Bambach, uma das fundadoras da She Says - outra entidade que advoga pelo aumento da participação feminina -, disse que a ausência de mulheres nas agências ajuda a explicar porque, muitas vezes, os comerciais não conseguem conquistar o público feminino. Hoje, explicou ela, a publicidade consagrou dois tipos de mulheres: a gatinha e a mamãe. Há um grupo de "mulheres esquecidas": as profissionais de 30 a 50 anos, justamente as que têm mais dinheiro para gastar em produtos que falem seu "idioma".

Boa parte dos anúncios é criada por homens, muitas vezes com menos de 30 anos, que não entendem que o humor universitário de gosto duvidoso não tem apelo para a mulher. "A mulher dos comerciais é a sensual. Falta a noção de que o sexo feminino não é um grupo homogêneo", disse Col- lyn Ahart, presidente da Adventure for Women, especializada em atender a empresas de esportes que querem dialogar com as mulheres.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.