Juro a 12% reforça apelo em renda fixa, mas não tira atratividade de blue chips

Para investidores conservadores, sugestão é alocar boa parte dos recursos em fundos DI ou títulos pós-fixados que acompanham a Selic

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

20 de abril de 2011 | 20h30

A alta de 0,25 ponto porcentual da Selic, para 12% ao ano, deve reforçar o apetite dos investidores em investimentos em renda fixa. Como são atrelados à variação do juro, em geral, essas aplicações ficam mais atraentes em ciclos de aumento do juro básico como o atual. Ainda assim, a Bolsa não perde poder de atração com essa decisão, especialmente as ações que estão que estão sendo consideradas baratas atualmente pelo mercado e que têm potencial de valorização.

Para os investidores conservadores, a sugestão é alocar boa parte dos recursos em fundos DI ou títulos pós-fixados que acompanham a variação do juro, em especial naqueles atrelados à inflação. As NTN-Bs, títulos negociados no Tesouro Direto que acompanham a inflação, atualmente pagam entre 5,76% e 6,58% ao ano mais variação do IPCA. 

"Estamos em um ano de proteção de capital, não de grandes ganhos. Não é interessante correr grandes riscos", afirma o professor de Finanças da BBS, Ricardo Torres.

Selic mais alta significa juro real (juro descontado da inflação) maior. Segundo cálculos da Apregoa.com, a alta de 0,25 p.p. da Selic elevou o juro real para 6,2%, o maior do ranking mundial. O segundo país do ranking, a Turquia, tem juro real de 2,2%.

"Se o investidor quer ter uma carteira mais diversificada eu chamaria a atenção para os prefixados", lembra o sócio-diretor da Verax Serviços Financeiros, Marcelo Xandó. Esses papéis têm oferecido altos juros para o investidor. No Tesouro Direto, as LTNs estão com juro de no mínimo 12,30% ao ano.

Bolsa

Apesar do ciclo de alta da Selic, especialistas dizem que o momento pode ser bom também para aplicar em Bolsa, especificamente em ações com mais liquidez e de grandes empresas como Petrobrás e Vale, além de bancos em geral, que sofrem duras perdas em 2011.

"A alta não chegou a ser uma surpresa", diz o diretor de operações da iCash, Salomão Santos. No linguajar do mercado, a Bolsa já precificou esse aumento e tem sofrido mais no ano, com queda de 3,24%, por conta da saída que investidores estrangeiros. Até o dia 14 de abril, o saldo de investidores estrangeiros está negativo em US$ 3,6 bilhões.

"As blue chips estão muito baratas e a bolsa está atrasada em relação aos mercados de fora", diz. No ano, Dow Jones acumula alta de mais de 7% e S&P 500, de 5%. Para o segundo semestre, especialistas ainda esperam que a Bolsa reverta a perda e acumule algum ganho. "Bolsa é mais influenciada pelo cenário externo do que pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em si. A questão é o investidor estrangeiro voltar a comprar para a Bolsa subir", diz o analista da corretora Concórdia, Leonardo Zanfelício.

Dólar

A taxa de retorno ainda mais atrativa no Brasil pode ser fator de pressão adicional para a queda do dólar, que já vem numa tendência de baixa em relação ao real. "A diferença de taxa tende a pressionar ainda mais o dólar para baixo. Deve chegar a R$ 1,55 em breve", afirma Torres, da BBS.

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