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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Juro a longo prazo é a menor desde 94; meta da inflação fica em 4,5%

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu, nesta quinta-feira, que a meta de inflação para 2008 será a mesma deste ano e do ano que vem: 4,5% ao ano. A margem de tolerância ficou definida em dois pontos porcentuais - para mais ou para menos. Além disso, o conselho baixou a Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP) de 8,15% ao ano para 7,5% ao ano, para o próximo trimestre. Esta taxa é a menor dede sua criação, em outubro de 1994. Reajustada trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a primeira TJLP, fixada em janeiro de 1995, foi de 26,01% - até hoje, a maior cotação de sua história. O governo Lula foi iniciado com TJLP a 11%. Depois, a taxa aumentou para 12% para, no final daquele ano, iniciar um lenta trajetória de queda. Depois de 21 meses cotada em 9,75%, ela baixou, em janeiro para 9%, teve nova redução, em abril, para 8,15%, até alcançar o patamar histórico atual. A redução de 0,65 ponto porcentual da TJLP, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ajudará a estimular os investimentos na economia. Os investimentos, segundo ele, ajudam a garantir um crescimento econômico equilibrado. A TJLP mais baixa, segundo Mantega, é suficiente para reduzir o custo dos empreendimentos que são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e elevar os investimentos na economia brasileira. Mantega disse que, na definição na taxa, não foram considerados valores absolutos de inflação e risco País porque, segundo ele, estes são estimativas variáveis. "Tratam-se de indicativos, não quer dizer que vamos tomá-los ao pé da letra. A TJLP está sinalizando uma inflação na meta de 4,5% e um risco País próximo do nível atual, de 250 pontos-base".Inflação Sobre a meta de inflação, segundo Mantega o governo está sendo bem-sucedido na política de controle da inflação, inclusive fazendo com que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, o indicador que contabiliza a inflação oficial) fique em níveis abaixo da meta. "A política antiinflacionária do governo Lula tem tido um sucesso pleno", disse na coletiva. Segundo o ministro da Fazenda, a meta anunciada nesta quinta é a mais adequada para o País e a factível de ser alcançada. Ele explicou que o CMN não quer cometer o erro do passado, quando se fixava metas ambiciosas demais e que não eram atingidas. "Isso não quer dizer que o Brasil não possa alcançar patamares menores de inflação", disse após classificar a taxa de inflação atual de moderada e que permite ter um horizonte de planejamento de longo prazo pelos agentes econômicos. Consistência O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a definição da meta de inflação para 2008 é no atual momento de implantação do regime de metas de inflação o mais adequado para ancorar as expectativas e garantir a credibilidade do sistema. Segundo ele, o CMN considerou que é mais consistente do ponto de vista da credibilidade do sistema manter a meta atual e cumpri-la. Segundo o presidente do BC, "quanto mais alta a probabilidade de a meta ser cumprida, mais crível é a política monetária e menor o custo para a sociedade manter a inflação dentro da meta". "Entre o custo-benefício de ter uma meta mais ambiciosa e reforçar a credibilidade do sistema, consideramos que neste momento a credibilidade é mais importante", afirmou. Mantega, por sua vez, lembrou que, nos últimos anos, o Brasil reduziu mais rapidamente a inflação do que países como México e Chile, que têm metas menores de inflação para os próximos anos. Ao final da entrevista, questionado sobre se os 4,5% seriam a meta de inflação de longo prazo desejada pelo governo, Mantega respondeu: "Essa é uma meta de médio prazo". Meta ambiciosa Em contrapartida, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, classificou a definição da meta de inflação para 2008 como uma "decisão ambiciosa", considerando o histórico de inflação no País. "O mais importante é que estamos realizando até com uma certa tranqüilidade", afirmou.Ele ressaltou que as expectativas de mercado para a inflação e os índices acumulados em 12 meses indicam o quadro de que "o mais provável" é o cumprimento das metas de inflação, em 2006, 2007 e 2008. Segundo ele, essa é uma conquista fantástica para o governo, que faz com que a política econômica seja bem sucedida e permita que seja base para o desenvolvimento de outras políticas, como o aumento dos investimentos. Redução mais rápidaMeirelles evitou responder diretamente que haveria espaço para uma redução mais rápida dos juros, com as metas de inflação estabelecidas até 2008 em 4,5%. O presidente do BC disse que a queda dos juros é desejo de todos os brasileiros, mas que a prioridade do Banco Central é cumprir a meta de inflação. "Portanto, temos uma meta de inflação, e não uma meta de juros. A política monetária será consistente com esse mandato de 2008, assim como para 2006 e 2007. Por isso, não damos previsão sobre juros", afirmou. Tolerância O presidente do BC ressaltou que a meta brasileira e o intervalo de tolerância (2 pontos porcentuais) estão um pouco acima das praticadas por parceiros comerciais do Brasil. Por isso, ressaltou ele, é importante a consolidação do regime de metas de inflação. Na sua avaliação, o Brasil está atingindo este momento de conquista da consolidação do regime de metas de inflação. Na semana passada, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles já havia alertado para o fato de a meta e seu intervalo no Brasil serem maiores do que os de outros parceiros. Ele chegou a dizer, na ocasião, que essa situação prejudicava a economia brasileira. E também apresentou uma tabela com as metas de inflação e intervalos de tolerância que mostravam que o Brasil tem a meta e o intervalo mais altos entre os principais países que adotam o regime de metas de inflação. * Irany Tereza, Fabio Graner, Gustavo Freire, Renata Veríssimo e Adriana Fernandes

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