Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Juro alto e incerteza fiscal comprometem economia em 2022, diz presidente do Bradesco

Segundo Octavio de Lazari, expectativa do banco para o ano é de crescimento do crédito, mas em ritmo menor que em 2021

Matheus Piovesana e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2022 | 11h58

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse nesta quarta-feira, 9, que o aperto da política monetária, com a alta de juros pelo Banco Central, já afetou a atividade econômica e deve seguir tendo impacto na recuperação da economia este ano.

"O ano de 2022 deve ser de baixo crescimento", disse Lazari, em teleconferência sobre os resultados do banco, citando o efeito dos juros altos, que chegaram a dois dígitos na semana passada, e da incerteza fiscal. Este ambiente "certamente" deve ter impacto na operação do banco, ressaltou.

"O avanço rápido da vacinação permitiu a retomada dos negócios." Para este ano, a expectativa é de continuidade da normalização da pandemia, apesar do avanço da variante Ômicron, que deve se mostrar temporário, disse o presidente do Bradesco.

O Bradesco encerrou o quarto trimestre de 2021 com lucro líquido recorrente de R$ 6,6 bilhões, queda de 2,8% na comparação com o mesmo período de 2020. Em 2021, o lucro recorrente do banco teve um salto de 34,7% em relação a 2020, para R$ 26,2 bilhões - um recorde.

Sobre 2021, Lazari mencionou o lucro recorde, o retorno operacional do banco de 18,1% e o bom desempenho da seguradora, mesmo pagando R$ 5 bilhões em sinistros por conta da covid.

O presidente do Bradesco também destacou os avanços do banco na seara digital e em segmentos de crédito, em especial o imobiliário. Ele afirmou que o crédito que o banco liberou pelos canais digitais no ano passado, de R$ 88 bilhões, coloca o Bradesco à frente de players nativos digitais.

"O crédito que concedemos via digital é maior que soma de todas as fintechs que atuam no Brasil", disse. "Tivemos um aumento de 5,3 milhões de correntistas digitais em relação a 2019."

De acordo com ele, Next, Bitz e Ágora, as três marcas digitais que o Bradesco possuía ao final de 2021, somavam juntas 15 milhões de clientes. Ele destacou que o Next superou a expectativa de dobrar a base durante o ano, com 10 milhões de clientes em dezembro, e que a corretora Ágora também teve importante crescimento.

"A Ágora dobrou a sua capacidade de captação líquida em 2021", afirmou Lazari. Segundo ele, os números do Digio, antes uma sociedade entre Bradesco e Banco do Brasil e que agora será apenas do Bradesco, serão reportados em breve pelo conglomerado.

O executivo disse ainda que no Bradesco, as vendas de cartões pela via digital cresceram 5,8 vezes no ano passado, e que este canal já responde por 20% das vendas de cartões.

No crédito em geral, digital ou não, o Bradesco assumiu ainda a liderança na originação de empréstimos para o financiamento de veículos, graças ao aumento da produção, pontuou o executivo. No imobiliário, o Bradesco teve recordes de financiamento.

"A expectativa para 2022 é de continuidade desse crescimento, em um ritmo menor, dada a alta dos juros", disse ele.

O executivo também destacou que o Bradesco, que fechou 2021 com seu maior lucro anual na história recente, conseguiu expandir seus resultados mesmo na comparação com 2019, ano pré-pandemia. "Ante 2019, conseguimos crescer receita e reduzir nossas despesas, o que elevou o nosso resultado operacional em 9,6% em relação a 2019." 

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