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Juro alto não é vilão do câmbio, diz ex-presidente do BC

Os juros altos não são a única razão para a desvalorização do dólar ante o real. A queda na percepção de riscos macroeconômicos provocaram um aumento na demanda por ativos brasileiros, segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente do Banco Central, Affonso Pastore. Ele participou hoje do XXIII Fórum Nacional, que acontece na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

18 de maio de 2011 | 13h29

"A valorização cambial é um sintoma de saúde da economia brasileira, não é um sintoma de doença da economia brasileira", afirmou Pastore. "Os US$ 50 bilhões que entraram no País no último ano é dinheiro de investimento mesmo. Não são somente capitais de curto prazo buscando a diferença da taxa de juros. Há um fluxo enorme de capitais de longo prazo, que são estimulados pelos baixos riscos e pelas perspectivas de crescimento".

Pastore ressaltou que houve valorização do real, mas ocorreu uma desvalorização generalizada do dólar ante outras moedas, por causa da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Segundo ele, a prova disso foi a valorização do dólar australiano em relação ao dólar americano, embora a taxa de juros da Austrália esteja próxima à praticada nos Estados Unidos.

"Austrália e Brasil têm em comum serem grandes exportadores de commodities. Quando as commodities se valorizam no mercado internacional, puxam a valorização cambial", explicou Pastore.

Reforma tributária

O governo precisa investir na reforma tributária para estimular as exportações, segundo Pastore. Para ele, essa é a saída para impulsionar o crescimento do País, na ausência de uma política para aumentar a poupança. "Não vejo a política fiscal do governo voltada para aumentar poupança. Não está no cardápio. O que tem que fazer é no lado tributário, para tentar aumentar as exportações", afirmou.

O ex-presidente do BC defende que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) passe a ser coletado pelo princípio do destino - e não na origem -, além de ter uniformidade de alíquotas. Outra exigência seria promover desonerações tributárias, como os encargos na folha de trabalho, além de diminuir os impostos de setores como energia elétrica e controle de capital, para gerar crescimento e competitividade. "Dessa forma, o Brasil pode ganhar muito nas exportações", avaliou.

Exportações

No mesmo evento, o presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que a valorização do real frente ao dólar não atrapalha as exportações brasileiras de commodities. Porém, segundo ele, as exportações de produtos manufaturados perdem a competitividade com a valorização cambial.

"No atual patamar dos preços das commodities, compensa qualquer taxa de câmbio. Então, na exportação das commodities, nós não reclamamos se a taxa de câmbio está alta ou está baixa", afirmou Castro. "Em contrapartida, quando falamos dos produtos manufaturados, a taxa de câmbio é um fator de competitividade. E com essa atual taxa de câmbio, nós não temos competitividade para exportar manufaturados".

Para Castro, correções nos sistemas previdenciário e tributário poderiam desonerar a produção e aumentar a competitividade de produtos manufaturados no exterior. "Se tivéssemos um sistema previdenciário melhor, um sistema tributário melhor, ninguém estaria discutindo a taxa de câmbio aqui", afirmou.

O presidente em exercício da AEB alertou ainda para o fato de o Brasil ser um país dependente das exportações de commodities, mas não controlar a definição de preços. "Um cenário externo bom gera um bom preço para as commodities. Um cenário externo ruim gera problemas para o Brasil", lembrou.

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