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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Juro alto pode estancar procura por dólar na Argentina

A alta dos juros é a única alternativa que a Argentina tem para frear os movimentos bruscos do câmbio, sem criar novas armadilhas, que a desviem da flutuação entre as duas moedas. A opinião é do ex-diretor do Banco Central (BC) e professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec) Carlos Thadeu de Freitas Gomes.Ele não acredita nas especulações dos últimos três dias, de que o presidente argentino, Eduardo Duhalde, venha a anunciar um plano que limite a variação do peso ou o atrele a uma cesta de moedas, incluindo até o brasileiro real. Para Freitas Gomes, essas medidas são desastradas e acabam prejudicando ainda mais a imagem já debilitada da Argentina, criando novas pressões sobre as reservas cambiais do país.Com juros altos, ele acredita que a população e as empresas descrentes no país procurem ativos em pesos. "O que não se pode fazer é queimar reservas cambiais, oferecendo dólares com juros baixos. Assim, a pressão do dólar sobre o peso continuará."Até porque, reforça, diante desse cenário, as pessoas se sentem mais protegidas com dólares. De janeiro até esta quarta-feira, último dia útil do mercado financeiro daquele país antes dos feriados da Semana Santa, o dólar americano apontava uma valorização de 196%. Os números são oficiais e, estranhamente, sooaram como alívio para o governo que chegou a ver o dólar cotado antes do fechamento a 4 pesos, na semana passada, o que daria uma valorização de 300% desde o fim da conversibilidade que durou 11 anos, aquele período em que um peso valia exatamente um dólar.Esse movimento foi acelerado pela divulgação dos dados de que a inflação está em alta e a produção industrial em queda. "A Argentina não tem poder de emitir dólares, nem encontra hoje recursos no mercado externo, mas tem como tomar medidas internas, como a elevação dos juros", reforça Freitas Gomes.Ele reconhece que isso pode agravar ainda mais a recessão interna e o cenário desolador de três anos seguidos de queda no Produto Internto (PIB), "mas não há saídas para a Argentina no curto prazo, só mágicas que depois têm custos muito mais elevados".Segundo Freitas Gomes, se o governo Duhalde não criar mecanismos de frear a procura por dólares, brevemente poderá entrar num período de hiperinflação, cujas conseqüências poderiam ser ainda mais desastrosas."Os preços relativos só não estão absurdamente altos porque o governo ainda dispõe de reservas cambiais, que podem garantir eventuais importações para balizar os preços, caso contrário, com a deterioração dessas reservas em dólares, as saídas para o país ficariam ainda mais estreitas", garante o economista de visão claramente ortodoxa.Leia o especial

Agencia Estado,

28 de março de 2002 | 23h22

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