Juro americano cai para 4,25% ao ano e frustra mercado

Aposta majoritária do mercado era esta - corte de 0,25 ponto -, mas decisão mais agressiva não era descartada

11 de dezembro de 2007 | 17h17

O banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) decidiu nesta terça-feira, 10, reduzir o juro básico do país em 0,25 ponto porcentual. Com isso, a taxa caiu para o patamar de 4,25% ao ano. Apesar de ser essa a aposta majoritária do mercado, a decisão não agradou os investidores, pois não se descartava um corte mais agressivo, de 0,5 ponto porcentual.   O resultado foi que as bolsas viraram. Em Nova York, o índice Dow Jones passou de alta de 0,35% para queda de 1,23% (às 17h25). A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que operava na máxima antes do anúncio da decisão, em alta de quase 1,5%, passou para uma baixa de 0,72%.   Veja também:  Comportamento dos juros americanos  Íntegra do comunicado do Fed  Os efeitos da crise no setor imobiliário   Outra decisão anunciada pelo Fed e que desagradou o mercado foi o corte de 0,25 ponto na taxa de redesconto - taxa cobrada nos empréstimos do FED ao sistema financeiro. A expectativa também era por uma redução maior, de 0,50 ponto porcentual.   O placar do Fed foi de nove integrantes do comitê a favor de uma redução de 0,5 ponto porcentual contra um integrante a favor de 0,25 ponto porcentual. Ao final do encontro, eles destacarm que a crise no setor de moradias se intensificou, ao mesmo tempo em que os gastos e os investimentos das famílias diminuíram. Além disso, o comunicado do Fed apontou a deterioração dos mercados financeiros e a permanência dos riscos de inflação. A ata da reunião será divulgada no dia 2 de janeiro e a próxima reunião está marcada para os dias 29 e 30 de janeiro.   Economistas já alertavam que desde a última reunião do Fed, em 31 de outubro, a crise no crédito imobiliário de risco norte-americano (subprime) tornou-se mais evidente e potencializou os riscos de a economia perder ritmo de modo mais acentuado. Naquela ocasião, o comunicado do banco central norte-americano considerou que os riscos para o crescimento e para a inflação estavam "praticamente equilibrados". Mas o fato é que desde então o mercado desandou, com as instituições financeiras revelando novas baixas contábeis, aumentando a desconfiança no crédito, que além de escasso está também mais caro.   Analistas avaliam que, numa primeira leitura, a autoridade monetária parece ter deixado a porta aberta para qualquer tipo de ação que precise ser tomada. Nada no comunicado divulgado ao final da reunião parece deixar certo que haverá novos cortes no juro, mas o banco central está claramente preocupado com as perspectivas e pode muito bem cumprir as expectativas do mercado e afrouxar mais a política monetária  

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