Juro americano pode ter corte 'substancial', diz Bernanke

Bush também concluiu que a economia dos EUA precisa de estímulo. Ele consultará Congresso ainda hoje

Agências internacionais,

17 de janeiro de 2008 | 13h18

O presidente do banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, voltou a repetir que, se necessário, vai promover um corte "substancial" na taxa de juros do país e defendeu a implementação rápida de um pacote de estímulo fiscal. Em comentários previamente preparados para sua aparição ao Comitê do Orçamento da Câmara, ele disse que os riscos de uma desaceleração da economia norte-americana estão mais pronunciados e a inflação se acentuou bastante recentemente. Bernanke avaliou, contudo, que os cortes de impostos não se pagam por si sós e devem ser apoiados por reduções nos gastos. Após as declarações de Bernanke, o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto disse que o presidente George W. Bush concluiu que a economia dos EUA precisa de um estímulo de curto prazo. Bush consultará o Congresso ainda nesta quinta-feira.   Veja também: Merrill Lynch tem prejuízo de US$ 9,83 bi no 4º trimestre  Juro nos Estados Unidos  Entenda a origem da crise nos EUA      "A ação fiscal pode ser útil em princípio, já que os estímulos fiscais e monetários, juntos, podem dar mais suporte à economia do que as medidas monetárias sozinhas", avaliou Bernanke. No entanto, ele especificou que é "criticamente importante" que qualquer medida fiscal seja posta em prática rapidamente e tenha o impacto máximo em 12 meses. Qualquer outro efeito teria mais danos que benefícios, alertou Bernanke.   Ele explicou que qualquer pacote de estímulo fiscal "bem desenhado" resultaria em um aumento de curto prazo no déficit orçamentário e que este efeito não deve ser contrabalançado por aumentos dos impostos. Ele defende que, para evitar estes problemas, o pacote de estímulo fiscal deve ser temporário.   Embora Bernanke não quisesse recomendar ações específicas para fazerem parte do pacote, ele afirmou que uma combinação de medidas variadas seria útil para "lidar com os problemas de vários ângulos diferentes".   As declarações de Bernanke foram amplamente interpretadas como significado de que o Fed poderia reduzir a taxa de juro de curto prazo, provavelmente em 0,50 ponto porcentual, em relação ao nível atual de 4,25%, no próximo encontro do Comitê de Mercado Aberto do Fed, em 29 e 30 de janeiro. O Fed já reduziu a taxa básica de juro em 1,00 pontos porcentual desde setembro.   Dados recentes, incluindo uma aumento acentuado na taxa de desemprego e o declínio das vendas do varejo têm respaldado essa análise, embora o Livro Bege - que traz o sumário das condições da economia norte-americana -, divulgado na quarta-feira, trouxe avaliações sobre as condições da economia que indicam que o Fed vê uma economia em desaceleração, mas não em contração.   A Bolsa de Valores de São Paulo oscilou depois da fala de Bernanke. Às 13h20, opera em baixa de 0,49%, depois de ter ensaiado uma alta no final da manhã. O dólar também responde com volatilidade aos comentários do presidente do banco central dos Estados Unidos. No início da tarde, a moeda norte-americana é vendida a R$ 1,7630, em queda de 0,56%.   Perdas no setor imobiliário   Bernanke afirmou que as perdas com hipotecas subprime (alto risco) já totalizam cerca de US$ 100 bilhões, número que pode ficar maior se a inadimplência e a execução de hipotecas crescerem. "Certamente poderão ser múltiplos de (US$ 100 bilhões) conforme formos adiante", disse o presidente do Fed.   Ele foi questionado pelos congressistas sobre o potencial efeito econômico de um pacote de estímulo fiscal de cerca de US$ 100 bilhões. Ele respondeu que, se boa parte deste montante for rapidamente canalizada para o consumo, os efeitos sobre a economia podem ser significativos no segundo semestre de 2008 e em 2009.   Bernanke defendeu a agressiva posição de afrouxamento monetário do Fed, que contrasta fortemente com a política de juros estáveis do Banco Central Europeu. A Europa não enfrenta os mesmos riscos imobiliários que os EUA enfrentam, disse Bernanke, acrescentando que as economias européias e asiáticas não devem desacelerar tanto quanto a dos EUA.   O presidente do banco central norte-americano afirmou ainda que não está preocupado com a possibilidade de as ações do Fed criarem um problema moral, já que encorajariam comportamento arriscado. O presidente do Fed citou as recentes baixas contábeis de bancos de Wall Street como uma evidência de que o BC norte-americano não está protegendo Wall Street de perdas.   Recessão   Bernanke disse ainda que os EUA devem evitar uma recessão, embora ele espere um período de crescimento abaixo da média no primeiro semestre de 2008. O setor de habitação, disse Bernanke, vai, provavelmente subtrair mais de um ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto no quarto trimestre e pode continuar agindo como "draga do crescimento durante boa parte deste anos".  Mas, quando o setor de moradia atingir o fundo do poço, o crescimento deverá começar a acelerar na segunda parte deste ano, disse Bernanke, acrescentando que a economia ainda tem "vigor inerente".  Ele repetiu que o Fed está "preparado para agir de maneira decisiva e precisa e, em particular, está pronto para conter qualquer dinâmica adversa que possa ameaçar a estabilidade econômica e financeira".   Pacote   A discussão sobre o pacote vem gerando discussões no Congresso. Democratas defendem uma combinação de restituição, gastos direcionados e assistência a famílias de baixa renda. Já os Republicanos demonstraram apoio a medidas fiscais, mas também querem que os cortes de impostos existentes se tornem permanentes.        

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