Juro ao consumidor recua para nível mais baixo desde julho de 94

Os juros ao consumidor recuaram em junho e chegaram ao menor nível desde o início da série do Banco Central, em julho de 1994. De acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados hoje, a taxa de juros cobrada nos empréstimos para a pessoa física ficou em 55,8% ao ano. Já a taxa para pessoas jurídicas, que caiu para 28,8% ao ano, ficou em seu menor nível desde agosto de 2004.Os dados do BC mostram ainda que a taxa de juros média dos empréstimos com recursos livres chegou ao patamar de 43,2% ao ano no mês passado - patamar mais baixo desde março de 2001, quando estavam em 42% anuais.Segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, mesmo atingindo taxas mais baixas em muitos anos, o comportamento do volume do crédito em junho foi fraco, crescendo apenas 0,7% ante maio. Essa expansão, segundo ele, se deveu basicamente à incorporação de juros no estoque de financiamentos.Lopes explicou que influenciaram negativamente o volume de crédito fatores como a queda nas concessões do cheque especial, que recuaram cerca de R$ 1,6 bilhão, a transferência de cerca de R$ 1 bilhão de créditos de baixa qualidade de uma instituição financeira para uma securitizadora - Lopes não informou o nome -, que tirou esses recursos do sistema financeiro, e a valorização cambial de 5,9%, que reduziu em 5,8% o volume de crédito externo, em reais.Além disso, segundo o chefe do Depec, uma menor procura das grandes empresas por créditos bancários, devido a uma opção mais intensa de utilizar o mercado de capitais (captação de recursos), influencia negativamente o volume de crédito. Para Lopes, entretanto, a tendência é que o crédito cresça de forma mais intensa nos próximos meses por conta de fatores como o aumento da renda, as taxas de juros cada vez mais baixas e o crescimento da economia.Financiamento As grandes empresas estão se financiando menos pelo sistema bancário. De acordo com o BC, em março de 2006 a participação dos empréstimos de valores superiores a R$ 100 milhões ficou em 14,4% do total concedido pelos bancos, ante 15,1% em março de 2005. Também caiu, de 24% para 23,3%, a participação dos empréstimos de valores entre R$ 10 milhões e R$ 100 milhões. Segundo Lopes, essa queda se deve ao fato de as grandes empresas estarem buscando modalidades alternativas de financiamento, sobretudo no mercado de capitais, como a emissão de debêntures.Os dados do BC mostram que, na mesma comparação, os empréstimos de até R$ 100 mil aumentaram sua participação de 18,3% para 19,5% do total fornecido pelas instituições financeiras, enquanto a faixa entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões oscilou de 42,7% para 42,8%.

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