Juro ao consumidor só cairá com redução de impostos para bancos

O spread bancário - diferença entre juros de captação e taxas cobradas nos empréstimos -, grande vilão do custo de crédito no Brasil, só se reduzirá de forma significativa quando os custos públicos impostos ao sistema bancário diminuírem de maneira expressiva. A afirmação foi feira hoje pelo economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Roberto Troster.Troster afirma que, mesmo que as operações de crédito das instituições financeiras não apresentem inadimplência e os lucros advindos dos empréstimos sejam deixados de lado pelos bancos, os impostos ainda representam 29,4% do custo anual do crédito oferecido pelos agentes financeiros."O governo tem um discurso dissonante. Enquanto defende a queda do spread, aumenta a carga tributária e os depósitos compulsórios". De acordo com Troster, no acumulado do ano, os depósitos compulsórios - parcela de recursos que os bancos recolhem ao BC sem remuneração - já somam R$ 120 bilhões.Críticas à morosidade da JustiçaTroster também critica a morosidade da Justiça em resolver os processos que envolvem instituições financeiras. Segundo ele, está é uma das variáveis que mais contribuem para os altos spreads brasileiros."No Brasil, um carro tomado por falta de pagamento demora 271 dias, em média, para ser vendido, o que é um absurdo. Hoje, existem entre 100 mil e 400 mil automóveis em pátios de bancos esperando para serem comercializados", disse. Processos de insolvência, de acordo com o economista, costumam demorar dez anos para serem concluídos.PerspectivaPara 2005, Troster está confiante que os spreads podem ser diminuídos, mas não por atitudes governamentais. "Os ganhos de eficiência bancária, a diminuição da volatilidade e o aumento da escala devem ajudar na queda do spread no próximo ano". A Febraban projeta um aumento do crédito de 17% em 2005.

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