Juro ao consumidor volta a subir após 3 meses

Após três meses de queda, os juros ao consumidor subiram em junho, segundo o Banco Central. Apesar do forte recuo da inadimplência e de os bancos terem cortado margens, o custo de dinheiro subiu por causa do aperto monetário feito pelo BC no segundo trimestre. A taxa média de juros para as famílias estava em 24,3% ao ano em junho, ante 24% em maio.

BRASÍLIA, / E.C. e C.F., COLABORARAM RICARDO LEOPOLDO, A.B., O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2013 | 02h11

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que, depois da queda verificada em 2012, os juros encontraram um novo patamar e têm oscilado em torno das mínimas históricas.

Segundo Maciel, a alta de junho está relacionada ao aumento do custo de captação dos bancos, que subiu junto com a taxa básica de juros - hoje em 8,5% ao ano. Já o spread bancário, parcela que inclui os custos e o lucro dos bancos, caiu. "A taxa de captação tem subido ao longo do semestre. Esse aumento tem sido compensado por redução de spread, mas em junho preponderou o custo de captação", afirmou.

Questionado se esse movimento está relacionado com uma redução das margens de lucro pelos bancos, Maciel disse que há relatos de acirramento da competição em busca de novos clientes, principalmente no crédito consignado.

Inadimplência. Outro destaque de junho foi a redução da inadimplência do consumidor, que caiu para 5%, menor valor da série histórica iniciada em março de 2011. A queda foi generalizada, com destaque para o cartão de crédito. Para as empresas, os atrasos caíram para 2,1%, menor índice em 17 meses.

Segundo o BC, a queda se deve a um processo que começou há algum tempo, com bancos aumentando o rigor na liberação de dinheiro e consumidores buscando linhas com juros menores. Além disso, emprego e renda seguem elevados, apesar de recente desaceleração. Para os próximos meses, a avaliação do governo é que o indicador deve seguir uma tendência "favorável".

O pé no freio dos bancos, no entanto, impactou o crescimento do crédito ao consumo, que desacelerou de uma taxa de 14% no fim de 2012 para 9,7% no final do primeiro semestre de 2013. A economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, afirmou que esse resultado reflete o ritmo menor do consumo de bens pelas famílias, por conta da corrosão da renda dos trabalhadores pela inflação e de um mercado de trabalho menos aquecido. Para ela, o desempenho mais fraco da economia pode contribuir para abreviar o ciclo de alta de juros, que acabaria em agosto.

Para o analista de bancos da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, a desaceleração no crédito ao consumo está em linha com as revisões para baixo para o crescimento em 2013. "O governo tinha uma visão de que o crédito seria um grande indutor para o crescimento econômico. Isso fez muito sucesso em 2009, quando a economia estava mais retraída. Agora, famílias e empresas estão mais endividadas."

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