André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Juro baixo depende da manutenção da agenda econômica

Passada a turbulência, a conquista de uma Selic mais baixa está integralmente atrelada à vitória de alguém comprometido com a agenda de reformas

Sérgio Vale, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 05h00

De volta aos juros de um dígito, a questão que fica é se dessa vez será sustentável manter a taxa baixa nos próximos anos. Diferentemente da última vez que a Selic baixou forçadamente de 10%, dessa vez há razões para se acreditar que a Selic possa ficar por mais tempo em níveis baixos.

A maior razão de todas é que há uma agenda de política econômica integralmente voltada para permitir que isso aconteça. Há uma combinação que há muito não se via entre políticas monetária e fiscal em busca dessa consolidação. Com todas as dificuldades da caminhada, a conjunção de um esforço fiscal atrelado a uma nova sistemática para a TJLP ajudam a assegurar que os juros poderão ficar mais baixos, sem comprometer a inflação. Mais ainda, ao iniciar o processo de baixar a meta, o governo também sinaliza com a possibilidade de taxas nominal e real mais baixas.

O trabalho não será fácil, pois há uma eleição no meio do caminho em que facilidades serão vendidas à população em troca do voto. E a equipe econômica será constantemente bombardeada. Tanto a reforma da Previdência quanto a mudança na TJLP são exemplos que afrontam o velho patrimonialismo e, portanto, serão vitórias históricas quando aprovadas.

Passada a turbulência, a conquista de uma Selic mais baixa está integralmente atrelada à vitória de alguém comprometido com a agenda de reformas. São poucos os candidatos dispostos a comprar essa briga, mas infelizmente em economia não há mágica. Qualquer tentativa de desvirtuar o pouco que já foi aprovado, levará o País de volta ao cadafalso.

/ É ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

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