Juro baixo do Finame deve acabar dia 31, diz Coutinho

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje que o governo não estuda prorrogar a redução dos juros nas operações de crédito do Finame (linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos), hoje em 4,5% ao ano. "Não há nenhuma decisão a respeito. É uma das reivindicações que recebemos do setor industrial, mas no momento o que posso dizer é que essa iniciativa deve ser concluída em 31 de dezembro", afirmou durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

ANA CONCEIÇÃO, Agencia Estado

02 de dezembro de 2009 | 14h19

O Finame é um programa de financiamento voltado para aquisição de máquinas e equipamentos para a indústria, agricultura e construção. Antes de ser incluído no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), os juros da linha eram de 10,5% ao ano. Reportagem de hoje do jornal O Estado de S.Paulo informa que há uma corrida por crédito do Finame, o que obrigou o BNDES a montar um plano de contingência com equipes extras que estão aprovando 1.500 operações de crédito da linha por dia.

Produção industrial

Coutinho disse que os dados da pesquisa sobre a produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma recuperação consistente da indústria e especialmente do setor de bens de capital, um dos mais prejudicados pela crise. De acordo com o IBGE, a indústria cresceu 2,2% em outubro, ante setembro, puxada pela produção de bens de capital, que subiu 5,9%. Coutinho prevê que esse segmento apresentará resultados ainda melhores à frente. "Acredito que em novembro teremos um crescimento mais forte", afirmou a um grupo de empresários na Fiesp.

"Esses indicadores mostraram que estamos sendo bem-sucedidos em reverter a queda na formação de capital", afirmou, referindo-se aos dados gerais da pesquisa do IBGE divulgada hoje. Na avaliação do presidente do BNDES, o Brasil ultrapassou o momento mais grave da crise e agora está no início da retomada do ciclo de expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Ele alertou, contudo, que, como ainda está no estágio inicial de retomada, o nível de investimento precisa ser fortalecido e acelerado. Para isso, o BNDES está dialogando com entidades como a Fiesp, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Iedi para recolher sugestões, disse.

Exportadores e derivativos

O presidente do BNDES afirmou que foram superados os problemas financeiros enfrentados pelas empresas exportadoras durante a chamada crise dos derivativos. "Felizmente, a deterioração das empresas exportadoras é página virada", disse. Durante a crise, no final do ano passado, grandes empresas exportadoras sofreram prejuízos na casa dos bilhões de dólares por conta de seus contratos de derivativos cambiais.

Para Coutinho, o setor privado brasileiro mostrou ser forte ao superar os problemas do auge da crise no final do ano passado, sem danos em sua estrutura. "O setor empresarial continua saudável e capaz de acompanhar o ciclo de crescimento". Ele ressalvou, contudo, que no longo prazo será necessário fortalecer a estrutura de capital das empresas e que o setor privado conte com outras fontes de financiamento que não o BNDES e os bancos públicos. "É necessário capitalizar as empresas e o mercado de capitais pode ser um canal importante. A internacionalização de companhias também é uma agenda que deve ser realizada paralelamente", afirmou.

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