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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

'Juro baixo não influenciou investidor da poupança'

Caderneta segue líder entre quem tem renda de até R$ 10 mil; para executivo, renda fixa pode voltar a crescer

Entrevista com

José Ramos Rocha Neto, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 05h00

Prevendo um cenário econômico de melhora lenta, porém contínua, José Ramos Rocha Neto, presidente do Fórum de Distribuição da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), acredita que os investidores do varejo tradicional, aqueles cuja renda mensal é de até R$ 10 mil, seguirão com a poupança em primeiro plano. E aponta caminhos para que a renda fixa volte a crescer nas aplicações dos brasileiros. “Não há sinais de que teremos nenhuma grande explosão na atividade econômica e, na minha visão, isso é positivo.” 

Como o cenário econômico deve interferir no mercado financeiro?

Estamos animados. Além de pequenas melhoras em indicadores, a liberação do FGTS vai ajudar. Não vai ser uma pancada grande, como foi da vez passada (em 2017, o ex-presidente Michel Temer autorizou a retirada total dos recursos das contas inativas, o que injetou R$ 44 bilhões na economia), mas vai ter um ‘pingadinho’. Isso vai empurrando o consumo. Gera riqueza e um pedaço dessa riqueza é guardada é espalhada entre investimentos. Não temos sinais de que teremos uma grande explosão e, na minha visão, isso é positivo. A gente teve no passado grandes explosões na economia que viraram voo de galinha. Prefiro que cresçamos em mais tempo, com resistência.

O que mais mudou?

Com mais acesso à informação, a alta renda talvez seja o grupo que mais teve mudança de comportamento nos últimos anos. A virada foi afetada pelas plataformas digitais e com o movimento de admissão de risco. O varejo tradicional é menos suscetível a assumir risco.

Migrar direto para ações não é um salto muito grande?

O crescimento da participação da renda variável nas aplicações tem ocorrido de maneira sustentável. Passar da renda fixa para um fundo de renda variável seria a decisão mais conservadora e natural, mas hoje as casas de investimento dão suporte para o cliente. Acredito, porém, que faz sentido como um passo intermediário uma passagem pelos fundos.

O volume de investimentos do varejo diminuiu. Por que a porcentagem em poupança subiu?

Na verdade, a carteira da poupança andou de lado. Na caderneta mais de 80% das poupanças têm até R$ 500. Com um tíquete médio baixo, se as pessoas têm alguma necessidade, é natural que recorram ao montante. A poupança é o grande produto nesse segmento, porque é a porta de entrada, um primeiro investimento. Como o tíquete médio é menor, a diferença de juros tem pouco reflexo no valor absoluto de rendimento mensal: com R$ 500 na poupança, por exemplo, uma taxa de 12% ao ano deixaria R$ 5 de rendimento o mês; com 6%, são R$ 2,50 ao mês. No varejo tradicional, a poupança ainda será um grande produto. Os fundos podem vir a ter participação um pouco maior, mas sem a relevância da poupança.

Por que a renda fixa encolheu nas carteiras?

As possibilidades de ganhos estão reduzidas. Mas ativos isentos (de Imposto de Renda), como LCI e LCA, estão mais atrelados ao lastro (imóveis ou agronegócio) do que à rentabilidade. Os isentos são excelentes para quem quer colocar um pedaço do portfólio em renda fixa. Ao longo do tempo eles devem voltar a crescer com a Letra Imobiliária Garantida (LIG), que vem ganhando corpo. [LIG é um título com lastro em créditos imobiliários que pode ser emitido por bancos, caixas econômicas, sociedades de crédito, entre outros. Segundo informações do site da B3, o ativo pode ter rentabilidade atrelada à variação cambial é o único título de captação bancária não antecipado automaticamente no caso de quebra da instituição que o emitiu]/ COLABOROU PEDRO LADISLAU LEITE

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