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Juro baixo vai ativar o PIB e o mercado de capitais, diz André Esteves

Para sócio do BTG Pactual, relação entre os três poderes no Brasil é melhor do que sugerem as notícias

Francisco Carlos de Assis e Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 11h42

André Esteves, sócio do banco BTG Pactual, disse nesta quarta-feira, 19, que a política monetária (juros) está perto do seu máximo e que isso ativará uma retomada mais consistente do Produtuo Interno Bruto (PIB) e do mercado de capitais. "Se estivesse no BC, talvez nem tivesse reduzido os juros na última reunião", disse. Segundo Esteves, há uma realocação de poupança que também requer observação do Banco Central, e também uma acomodação no patamar de câmbio que o BC respeita.

"Não acredito que o BC cortará a Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião. O Brasil vive uma aceleração medíocre, mas aceitável, dadas as suas condições", disse o executivo, durante o evento CEO Conference Brasil 2020, organizado pelo BTG. Para Esteves, o Brasil não tem condições de crescer 4% a 5% ao ano, por falta de produtividade.

Para o banqueiro, a depreciação cambial pela qual passa o Brasil no momento está relacionada, em parte, ao fato de o real ter deixado de ser uma moeda de carrego (que se beneficia dos juros mais altos), na esteira da redução da Selic ao seu piso histórico.

Porém, o dólar, de acordo com Esteves, está mais forte não só na comparação com o real, mas em relação a moedas de muitas outras economias fortes do mundo. Isso porque os Estados Unidos trabalham pautados por uma perspectiva de longo prazo.

"Essa perspectiva deixa o dólar forte ante o real e perante a todas as moedas", afirmou. "O fator local é que os agentes financeiros estão se adaptando ao novo patamar de juros. Como o real sempre foi moeda de carrego, e não de financiamento, mudamos de status, e o que está acontecendo é uma realocação pouco perceptível de investimento estrangeiro", disse.

De qualquer forma, mesmo diante das justificativas expostas, Esteves admite que o atual nível do câmbio tem surpreendido "a todos nós". "A percepção intrínseca da moeda indica que o real está muito barato", disse.

Relação entre os três poderes

De acordo com Esteves, a relação entre os chefes dos três poderes é melhor do que sugerem as notícias. Portanto, segundo ele, a democracia brasileira não está em vertigem, como sugere o documentário brasileiro indicado ao Oscar da cineasta Petra Costa. “A despeito das infelicidades de declarações, vivemos o melhor momento da relação entre os três poderes no Brasil. A relação está mais madura.” 

Esteves afirmou que essa é uma fotografia do momento, mesmo  porque dentro de um ano deverá haver mudança no comando da Justiça, da Câmara dos Deputados e do Senado. À frente, portanto, é provável que o País volte a ver um novo ajuste entre essas novas lideranças e o Poder Executivo. Para Esteves, gostando ou não do resultado das urnas, a alternância no poder é saudável.

“A alternância de poder dá sinal de saúde à democracia. À frente, poderemos ter um presidente de centro. Certamente, teremos. Assim, como poderemos ter um presidente de esquerda e o mundo não vai acabar”, disse Esteves. “[O presidente Jair] Bolsonaro tem seu jeito e seu modo de governar e declarações muitas vezes polêmicas. Mas a democracia está em ótima forma”, disse.

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