Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Juro bancário médio sobe para 36,3% ao ano em fevereiro, maior taxa em dois anos e meio

Trata-se da maior taxa desde agosto de 2019, quando os bancos cobraram, em média, 37,1% ao ano

Thaís Barcellos e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2022 | 10h27

Brasília - Em meio ao ciclo de alta acelerada da Selic, a taxa média de juros no crédito livre passou de 35,3% ao ano em janeiro para 36,5% ao ano em fevereiro, informou nesta quinta-feira, 28, o Banco Central.

Trata-se da maior taxa desde agosto de 2019, quando os bancos cobraram, em média, 37,1% ao ano.

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre passou de 46,3% para 48,1% ao ano de janeiro para fevereiro (maior nmível desde novembro de 2019), enquanto para as pessoas jurídicas foi de 21,4% para 21,5% (maior patamar desde fevereiro de 2018).

Com a trégua na greve dos servidores do BC, a autarquia começou a atualizar boletins e divulgações que estavam atrasadas, como as estatísticas monetárias e de crédito. Mas os dados apresentados hoje ainda estão defasados. As informações de fevereiro deveriam ter sido conhecidas no final do mês passado. Hoje, era para ser divulgado o resultado de março.

Cheque especial

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa passou de 125,7% ao ano para 132,6% ao ano de janeiro para fevereiro. No crédito pessoal, a taxa passou de 23,1% para 22,9% ao ano.

Desde 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao mês (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados atuais refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. Os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

Cartão de crédito

Nas operações com cartão de crédito rotativo, os juros bancários cobrados das pessoas físicas subiram de 346,3% ao ano, em janeiro, para 355,2% ao ano, em fevereiro de 2021 - o maior patamar desde novembro de 2017.

O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 172,5% para 174,3% ao ano. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 67,3% para 73,2%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 26,9% ao ano em janeiro para 26,5% em fevereiro.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 25,3% ao ano em janeiro para 25,7% ao ano em fevereiro. No mesmo mês de 2021, estava em 19,8%.

Já o Indicador de Custo de Crédito (ICC) subiu 0,4 ponto porcentual em fevereiro ante janeiro, aos 19,4% ao ano. O porcentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

Endividamento bate recorde

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro fechou 2021 em 52,6%, novo recorde da série histórica, de acordo com o Banco Central, após 43,9% em 2020. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 33,0% em 2021, ante 26,9% do ano anterior. Em novembro, os porcentuais eram de 52,1% e 32,7%, respectivamente.

Em dezembro, o BC explicou que a nova metodologia considera a Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF) restrita, em vez da Massa Salarial Ampliada Disponível (MSAD). A nova medida de renda das famílias inclui recursos recebidos extraordinariamente pelas famílias, como o saque emergencial do FGTS e o auxílio emergencial, e desconsidera rendas de aluguéis, rendas distribuídas das empresas para as famílias e rendas de investimentos.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) terminou 2021 em 27,9%, ante 23,7% em 2020.

Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 25,6% no ano passado, ante 21,5% no ano anterior. Em novembro, os porcentuais eram de 28,0% e 25,7%, respectivamente.

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