Juro cai para 7,5% e BC diz que se fizer novo corte será com 'máxima parcimônia'

Em comunicado, autoridade monetária indica que redução adicional da taxa básica está relacionada à recuperação da atividade econômica

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h05

O Banco Central anunciou ontem o nono corte seguido da taxa básica de juros, que caiu de 8% para 7,5% ao ano, novo mínimo histórico. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deixou aberta a possibilidade de nova redução da Selic na sua reunião de outubro, mas o ciclo de corte pode se encerrar caso a economia apresente sinais mais claros de recuperação. Se o cenário indicar a necessidade de mais um corte, ele deve ser menor.

A decisão de ontem já era esperada pela maior parte do mercado financeiro. Para alguns analistas, o comunicado divulgado junto com o anúncio reforçou as apostas de mais um corte de 0,25 ponto porcentual daqui 40 dias, como mostravam ontem os contratos de juros negociados na BM&F Bovespa. Mas o número de economistas que consideram provável o fim das reduções da Selic também cresceu.

Em nota, o BC informou que a decisão de sua diretoria foi unânime. Disse ainda que os cortes já realizados se refletem, em parte, na recuperação "em curso" da atividade econômica. Por isso, entende que, se o cenário econômico "vier a comportar um ajuste adicional" nos juros, "esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia".

Outro sinal de que o ciclo de redução da Selic está próximo do fim é que o BC retirou de seu comunicado duas frases que acompanharam as três decisões anteriores, que citavam a "fragilidade da economia global" e os riscos limitados para a inflação.

Até ontem, parte dos analistas também achava que o Banco Central pode reduzir a taxa básica a 7% neste ano, se a economia brasileira seguir em ritmo lento, com possibilidade de crescimento abaixo de 2% neste ano. Há ainda aqueles que projetam que o BC vai parar de cortar os juros neste ano para não ser levado a elevar novamente a taxa no início de 2013, quando crescimento e inflação devem ser maiores do que em 2012.

'Sinais'. O economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, está entre aqueles que avaliam que este pode ter sido o último corte de juros do ciclo atual, se houver sinais mais fortes de recuperação e considerando os novos estímulos anunciados pelo Ministério da Fazenda. "A gente tem expectativa de que atividade dê sinais melhores, com o setor industrial patinando um pouco, mas com serviços e emprego forte. E espera uma piora na inflação, que deve acelerar entre outubro e dezembro", disse Serrano.

A taxa básica de juros está em queda desde agosto de 2011, quando o BC surpreendeu o mercado e começou a reduzir a Selic, então em 12,5%. Na época, a inflação ameaçava ficar acima dos 6,5% fixados pelo governo. A instituição avaliou, entretanto, que a crise global iria durar mais que o esperado e jogaria para baixo o crescimento e os preços.

Como a crise ainda traz incertezas e a economia mostra fraca recuperação, analistas mudaram suas apostas para os próximos anos. A expectativa agora é que a Selic continue no mínimo histórico por mais tempo e só volte a subir no segundo trimestre de 2013. Contratos negociados na Bolsa também indicam que a taxa deve continuar abaixo de 10% por pelo menos dez anos.

Poupança. A taxa média de juros ao consumidor, que estava em 46% há um ano, recuou para 36,5%, de acordo com o BC. Contribuíram para isso não só a redução da Selic, mas, principalmente, a política dos bancos públicos de cortar suas margens, seguindo orientação do governo.

Outro efeito direto da queda dos juros é a rentabilidade menor da nova poupança e de outros investimentos. Com a Selic em 8% ao ano, os depósitos a partir de 4 de maio na caderneta estavam rendendo 0,4551% ao mês, mais a TR. Agora, a correção deve ficar em torno de 0,42%. Depósitos antes dessa data têm garantido 0,5% mais a TR.

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