Juro cai pouco e consumidor paga à vista

Taxas do cheque especial e do empréstimo pessoal têm corte mínimo, diz Procon-SP

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h07

O movimento de queda das taxas de juros está dando pouco impulso para o consumidor assumir novos empréstimos bancários ou financiamentos para a compra de bens de maior valor adquiridos em lojas, que normalmente são parcelados em prazos longos.

Neste mês, as taxas de juros para empréstimo pessoal e cheque especial nos bancos caíram 0,02 e 0,03 ponto porcentual, respectivamente, em relação a maio, aponta a pesquisa da Fundação Procon de São Paulo. Os dados levam em conta os juros médios de seis bancos, exceto o do banco Safra, que normalmente participa da pesquisa, mas se recusou neste mês a informar as taxas.

 

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Se for considerada a taxa média de juros com a lacuna do Safra, houve aumento de 0,07 ponto porcentual na taxa do empréstimo pessoal de maio para junho e queda de 0,10 ponto no cheque especial em igual período.

"A redução dos juros foi muito pequena pelo alarde da queda que foi feito. Eles cortaram minimamente as taxas", afirma a diretora de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon-SP, Valéria Garcia. Ela observa que os anúncios de corte nas taxas de juros consideraram as taxas mínimas. Poucos clientes têm acesso a essas taxas porque não se enquadram nesse perfil. Isto é, não têm saldo em conta corrente e contrapartidas a oferecer aos bancos.

A pesquisa do Procon-SP leva em conta o perfil de taxas máximas. No caso do empréstimo pessoal, são financiamentos pelo prazo de 12 meses e, no cheque especial, foi considerado o período de 30 dias.

Calote. Na análise de Valéria, o desconforto com a inadimplência não deixa os bancos à vontade para reduzir as taxas máximas de juros para os financiamentos ao consumidor. Tanto é que pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revela que, na primeira quinzena deste mês, o volume de carnês inadimplentes cresceu (6,9%) num ritmo superior às dívidas renegociadas (6,5%) em relação ao mesmo período de 2011. Esse resultado interrompe a tendência que vinha se delineando em maio de a renegociação superar o calote. "A crise na Europa e o crescimento baixo no Brasil não autorizam uma reversão rápida da inadimplência", afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri.

Estatísticas da ACSP sobre o ritmo de vendas do varejo indicam que os juros baixos não estão funcionando como uma alavanca nas vendas. A média diária de consultas para negócios financiados nas lojas cresceu 3,8% na primeira quinzena deste mês em relação a igual período de 2011. O acréscimo é de 1,1 ponto porcentual em relação ao ritmo de crescimento anual de vendas entre janeiro e abril.

Já as vendas à vista receberam um impulso bem maior no mesmo período. A média diária de consultas para vendas à vista na primeira quinzena deste mês aumentou 5,2% na comparação com os mesmos dias do ano passado. O acréscimo no ritmo das vendas à vista, geralmente produtos de menor valor, foi de quase 2 pontos porcentuais superior à média obtida entre janeiro e abril (3,4%).

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