Juro cairá só em 2006, prevê economista

Na avaliação do economista-chefe do Banco Pátria, Luiz Fernando Lopes, o Banco Central só retomará a trajetória de cortes de juros em 2006. Até lá, segundo Lopes - se não houver uma apreciação cambial mais significativa, uma reversão da trajetória do petróleo e uma melhora das variáveis que determinam o comportamento da inflação no mercado -, os juros continuarão subindo, conforme a própria ata do Copom sinalizou.Em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News", Lopes registrou a insatisfação do mercado em relação às diretrizes fixadas pelo Copom, o que foi demonstrado pelo comportamento do mercado ontem, dia em que foi divulgada a ata da reunião de janeiro do comitê. Para o economista do Banco Pátria, apesar de os últimos índices divulgados apontarem para uma queda da inflação, o BC encontrará justificativas mais técnicas para a alta da Selic. Por conta disso, Lopes prevê insatisfação adicional com a condução da política monetária nos próximos meses. Para Lopes, o ideal seria se atacar as razões estruturais da inflação. "Se fizermos um exame dos preços por atacado industriais, veremos que há vários segmentos com gargalos de produção, ou com problemas de ampliação de capacidade de oferta. Isso pressiona os preços para cima", explicou. "O problema é que quem faz a política monetária é o BC. E ele não pode ficar aguardando o governo, ou o setor privado, ou os investidores nacionais e estrangeiros, resolverem esse problema do gargalo."

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