ANDRE DUSEK | ESTADÃO
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Juro de 14,25% é suficiente para trazer inflação ao centro da meta, diz diretor do BC

Altamir Lopes afirmou que cenário do BC para levar a inflação a 4,5% contempla a manutenção da Selic no atual patamar

Célia Froufe, Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2016 | 13h20

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, disse nesta terça-feira, 28, que a projeção da instituição para a inflação de 2017 no cenário de referência contempla obviamente a manutenção da Selic nos atuais 14,25% ao ano. "Entendemos que, no decorrer no tempo, para o andar dos acontecimentos, essa taxa de juros é suficiente para trazer a inflação de volta para a meta em 2017", disse. No Relatório Trimestral de Inflação, o BC apresentou estimativa de 4,7% para o IPCA de daqui a um ano e meio ante previsão do dia 16 deste mês de uma taxa de 4,5%.

Para cumprir a meta de inflação em 2017, o BC dispõe, de acordo com o diretor, das "ferramentas que estão aí". "Temos o conjunto de parâmetros", disse. Juros de 14,25% dentro de um quadro de ajustes que estão para ocorrer são suficientes, conforme Altamir, para fazer com que a inflação convirja para 4,5%." 

Lopes reforçou a visão do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, de que a revisão da projeção de inflação para 2017 em pouco mais de 15 dias não tem "absolutamente nada de anormal". No Relatório de Trimestral de Inflação (RTI) de hoje o BC projeta a inflação do próximo ano em 4,7% no cenário de referência, enquanto a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) publicada no dia 16 trazia essa previsão no centro da meta de 4,5%. 

"Não há absolutamente nada de anormal na revisão das projeções. São processos correntes", respondeu Altamir. Assim como Goldfajn, ele explicou que o aumento das estimativas para a alta dos preços administrados neste e no próximo ano levou ao ajuste das projeções para o IPCA de 2017. "O ponto focal da revisão foi a mudança dos preços administrados em 2017 de 5% para 5,3%, que tem a ver com a revisão que se fez também para 2016", completou.

Setor externo. Lopes avaliou que o ajuste do setor externo ocorre de maneira mais intensa e será bem mais duradouro do que os demais ajustes da economia. Ele destacou a projeção de superávit comercial de US$ 50 bilhões em 2016, embora o resultado decorra principalmente da redução das importações e da desvalorização cambial.

Lopes comentou que o saldo da balança de serviços também tem apresentado resultados melhores, bem como há redução nas remessas de lucros e dividendos ao exterior. "Há uma trajetória impressionante de reversão do saldo das transações correntes. Depois de um déficit de US$ 25 bilhões em 2015 (1,5% do PIB), a projeção para 2016 é de um déficit de US$ 15 bilhões (0,9% do PIB)", afirmou, lembrando que a projeção de Investimentos Diretos no País (IDP) foi elevada de US$ 60 bilhões para US$ 70 bilhões.

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