Juro de curto prazo sobe com chance de a Selic ficar em 7,5%

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h07

ORelatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem pelo Banco Central com uma linguagem mais conservadora do que a antecipada por uma parte do mercado, conferiu um leve viés de alta às taxas futuras de juros de curto prazo, com manutenção das apostas em uma taxa Selic inalterada em 7,5% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro. Já a percepção do BC de que a contribuição do exterior continua desinflacionária no médio prazo guiou o declínio dos juros mais longos diante da possibilidade de que a reversão do ciclo de afrouxamento pode demorar um pouco mais para se concretizar. Assim, a taxa projetada para o contrato de juro para janeiro de 2013 ficou em 7,28%, de 7,26% no ajuste anterior. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 marcou 7,73%, idêntica à da véspera. Entre os longos, o juro para janeiro de 2017 indicou 9,10%, de 9,12% na véspera.

No exterior, os investidores encontraram na Espanha e na China razões que favoreceram o apetite por risco nesta quinta-feira. O projeto de orçamento espanhol para 2013, delineando reformas econômicas, abrandou as preocupações em torno da Europa. Já a China fez injeção recorde no sistema bancário, impulsionando a liquidez e renovando expectativas de que o gigante asiático ainda poderá implementar estímulos adicionais para dar apoio ao crescimento econômico. A Espanha está em contato com outros países da região para decidir sobre um eventual pacote de resgate. Na Grécia, a coalizão do governo confirmou acordo básico sobre medidas de austeridade demandadas por credores. As bolsas de valores mundiais, em sua maioria, reagiram em alta a este cenário, acompanhadas por avanço do euro e declínio do dólar ante diversas moedas. No mercado de renda variável doméstico, a Bovespa foi na contramão dos índices acionários internacionais e recuou 0,39%, aos 60.239,79 pontos. Os papéis da Vale e da Petrobrás ajudaram a manter o índice no terreno negativo ao fim dos negócios. No mês, porém, o ganho acumulado pelo Ibovespa é de 5,57%.

No câmbio, o dólar seguiu a trajetória internacional e fechou com queda de 0,20%, a R$ 2,0310, nos negócios à vista de balcão. O declínio, no entanto, foi mais brando do que o registrado pela moeda norte-americana ante outras divisas, diante da expectativa de uma intervenção eventual pelo Banco Central. O volume de negócios à vista foi beneficiado pela movimentação dos investidores com a rolagem de contratos futuros na BM&FBovespa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.