Juro de empresas não pára de subir

A turbulência internacional e o noticiário interno têm prejudicado empresários brasileiros. Conforme dados do Banco Central (BC), o juro dos empréstimos para pessoas jurídicas vem subindo desde agosto e a alta se acelerou nas últimas semanas. Para especialistas, isso é conseqüência da crise imobiliária nos Estados Unidos e de possíveis mudanças na economia brasileira, que poderiam provocar um afrouxamento fiscal. Nas operações para pessoas físicas, porém, a taxa de juro continua em queda.Levantamento preliminar do BC revela que o juro médio cobrado das empresas ficou em 23,6% ao ano em novembro, ante 23,4% em outubro. A alta é observada desde agosto, mês em que a crise imobiliária se acentuou nos EUA. Nesse período, a taxa média acumula elevação de 0,6 ponto porcentual.Economistas ouvidos pelo Estado avaliam que a alta está diretamente ligada à evolução dos juros futuros. O economista-chefe da López Leon Corretora, Flávio Serrano, observa que as taxas no mercado futuro pararam de cair em julho.Desde então, a volatilidade tem crescido e, nas últimas semanas, houve elevação mais expressiva. "O juro seguiu o nervosismo dos investidores dos juros futuros.Nesse período, a tranqüilidade diminuiu e aumentaram as incertezas", diz Serrano. Dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) reforçam a tese. Julho foi o último mês em que houve redução na média das taxas dos contratos de 360 dias. Em agosto, houve alta de 0,50 ponto porcentual, para 11,3% ao ano. As taxas permaneceram nesse nível até outubro e, novembro, voltaram a subir, dessa vez para 11,4%. "Com o aumento das incertezas, instituições que emprestam tendem a cobrar mais."Para o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, o cenário tem piorado nas últimas semanas com as estimativas de inflação crescentes e a possibilidade de a CPMF não ser prorrogada. "Houve deterioração do quadro porque surgiram notícias negativas nos EUA e também pelo repique da inflação interna e a hipótese de conseqüências fiscais da eventual derrubada da CPMF. Tudo isso elevou os juros futuros novamente."Os economistas ainda notaram outro fator negativo. "O desalinhamento entre órgãos do governo ocorreu em um momento infeliz e não ajuda em nada a economia. Isso cria dúvida entre investidores, traz incerteza", diz o professor de finanças do Ibmec-SP Carlos Fagundes.Ele lembrou a troca de nomes no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e no Banco Central, além de sinais de aumento dos gastos no governo federal.Campos Neto pondera que a troca de economistas no Ipea deve ter pouca conseqüência. "Apesar disso, é uma notícia que incomoda porque esse tema não era motivo de preocupação há muitos anos."

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