Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Juro do agronegócio será 'praticamente neutro', afirma Kátia

Segundo a ministra da Agricultura, novas taxas serão anunciadas no dia 19 de maio e deverão empatar com a inflação

Bernardo Caram, Rafael Moraes Moura, Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 15h00

BRASÍLIA - A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou nesta segunda-feira que as novas taxas de juros para financiamento do setor agrícola serão "praticamente neutras" no Plano Safra 2015/2016. As taxas, como haviam adiantado o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a própria ministra, no entanto, serão mais altas que a do plano 2014/15, que teve taxa média de 6,5% ao ano. 

"(O Plano Safra) seguirá o mesmo curso, o mesmo rumo e as taxas de juro serão praticamente neutras, como foram no ano passado", afirmou a ministra. Kátia Abreu, que participou de reunião na manhã desta segunda-feira com a presidente Dilma Rousseff e os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, informou que o anúncio do Plano será no dia 19 de maio.


"A Fazenda e o Ministério da Agricultura têm trabalhado nos detalhes do Plano. A presidente melhorou bastante as propostas", afirmou, ressaltando que não poderia adiantar quais são esses pontos aprimorados. Ela explicou que em 2014 as taxas de juros foram, em média, de 6,5%, mesmo valor da taxa de inflação no País, o que tornou as taxas neutras. A ministra garantiu que, apesar das novas taxas, haverá disponibilidade de verba para os financiamentos. 

"O essencial é decidir as diretrizes, os recursos não irão faltar", disse. Segundo ela, os ajustes na economia adotados pelo governo não vão comprometer o Plano Safra. "O ajuste fiscal não pode ser sinônimo de imobilismo, não está sendo enquadrado em todos os programas de governo. Existem programas de governo que estão funcionando. O plano safra é um dos pontos que o governo exclui do ajuste", afirmou Kátia Abreu.

De acordo com Kátia Abreu, as taxas anunciadas na última semana para o pré-custeio, modalidade de financiamento de insumos, condizem com a realidade da economia. "Acredito que taxa de juros entre 8,5% e até 9% está muito compatível com o nível de inflação de 8,5%. Independente de ajuste fiscal, se nós temos uma inflação maior, e os juros reais do País aumentaram, não tem diferença nenhuma do mundo rural. Nós vivemos no mesmo mundo que os demais empresários do Brasil vivem", disse.

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O essencial é decidir as diretrizes, os recursos [para o Plano Safra] não irão faltar, diz Kátia Abreu
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Conab. Questionada se haverá troca de comando na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a ministra respondeu que não está informada. "Não tenho conhecimento, de manutenção ou substituição. Ninguém comentou nada disso comigo", disse.

Defesa Agropecuária. A ministra Kátia Abreu informou ainda que o Palácio do Planalto marcou para o dia 6 de maio o lançamento do Plano Nacional de Defesa Agropecuária. "Esse plano de defesa agropecuária é um avanço na defesa agropecuária do País, vamos melhorar todo o marco regulatório, melhorar a questão da qualificação, num trabalho muito ativo junto aos Estados e municípios no combate e na defesa (agropecuária), (com) regras e normas não só pra prevenção, mas em caso de risco, como todos nós devemos agir em todo o País", disse a ministra. 

Segundo Kátia Abreu, os Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagros) passarão por uma reestruturação e modernização, sinalizando aos consumidores brasileiros e do mundo o "compromisso" das autoridades brasileiras com a "questão sanitária". O plano também prevê a elaboração de um estudo com os custos envolvidos na defesa agropecuária. "Hoje não existe milimetricamente medido quanto custa por hectare a ferrugem na soja, quanto custa por cabeça de bovinos a prevenção e o caso de risco; teremos um custo elaborado para que a União, o governo e o Congresso Nacional possam, de fato, lutar por esses recursos e mantê-los porque eles, de fato, serão necessários", afirmou a ministra.

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